O estudante de medicina Edcley Teixeira, investigado por ter divulgado questões semelhantes às que caíram no Enem 2025, afirmou que não assinou nenhum termo de sigilo ao participar do pré-teste do Inep, etapa utilizada para calibrar o nível de dificuldade do exame. Desde 2022, Edcley comercializa monitorias voltadas para alunos que se preparam para a avaliação.
O que diz o estudante
Segundo Edcley, as três questões anuladas pelo Inep já haviam sido apresentadas no Prêmio Capes Talento Universitário, iniciativa do Ministério da Educação realizada no ano anterior. Ele contou que exibiu essas perguntas em lives para estudantes de suas monitorias dias antes da aplicação oficial da prova. O Inep reconhece que itens do prêmio podem, eventualmente, ser reaproveitados em avaliações como o Enem.
Em entrevista ao Fantástico, o estudante relatou que desconfiou da relação entre o prêmio e o pré-teste, mas disse não imaginar que os itens poderiam retornar na prova. Para ele, as semelhanças são “coincidências pontuais”. Morador de Sobral (CE), Edcley reforçou que não recebeu qualquer orientação de sigilo e afirmou que a ausência de um aviso formal compromete a segurança do processo.
Como funcionam os pré-testes
O presidente do Inep, Manuel Palacios, explicou que o pré-teste tem como objetivo avaliar o grau de dificuldade das questões. Nos últimos três anos, cerca de 4 mil a 5 mil itens passaram por essa etapa. Palacios admitiu que não há uma comunicação clara sobre confidencialidade, mas negou que isso comprometa a segurança do Enem.
Ele afirmou ainda que o sistema possui mecanismos que impedem que participantes levem provas ou registrem conteúdo, embora não tenha comentado diretamente sobre a memorização de perguntas.
Memorização de itens
Durante a entrevista, Edcley confessou ter pago a outros estudantes para memorizar questões do Prêmio Capes, repassando-lhe o conteúdo por valores a partir de R$ 10 por item. Segundo seu advogado, Vinícius Freitas, não é possível punir participantes por violações a regras que não lhes foram oficialmente apresentadas.
O estudante classificou como “publicidade infeliz” as campanhas em que se apresentava como “o único monitor do país a realizar o pré-teste do Enem 2025”, afirmando que buscava apenas valorizar seu serviço.
Segurança do Enem
O Inep garante que a integridade da prova não foi comprometida. Palacios assegura que itens memorizados não têm potencial de alterar o desempenho dos candidatos e descarta “qualquer risco técnico” decorrente do episódio.
O caso é investigado pela Polícia Federal, que apura se houve tentativa de prejudicar o exame. A corporação informou que a investigação pode levar à responsabilização por quebra de sigilo ou divulgação indevida de conteúdo protegido.
O ministro da Educação, Camilo Santana, reafirmou que o Enem 2025 segue válido e que os resultados serão divulgados em janeiro.
Operação da Polícia Federal
Nesta segunda-feira, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão para esclarecer possíveis fraudes relacionadas ao Enem. A operação investiga como as informações foram obtidas, quem as difundiu e eventuais conexões com outros delitos. Embora o nome do alvo não tenha sido oficialmente divulgado, a TV Globo apontou que Edcley seria o investigado. O UOL não conseguiu contato com sua defesa após a ação.
Entenda o caso
Em 11 de novembro, uma live no canal de Edcley apresentou pelo menos cinco questões muito semelhantes às da prova de 2025. O estudante alegou que teria identificado um “padrão” do Enem utilizando “algoritmos” e “engenharia reversa”. Análises feitas pelo UOL mostram que uma das perguntas — sobre ruídos sonoros — continha alternativas idênticas às do exame oficial.
O estudante também aparece em uma publicação do MEC, de maio deste ano, agradecendo pela participação no Prêmio Capes e mencionando ter recebido R$ 5 mil pela atividade.
Com informações do G1.
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