domingo, 2 de novembro de 2025

Ministro Dias Toffoli muda voto e acompanha Gilmar Mendes na anulação das ações contra Renato Duque

 Decisão abre caminho para a revogação da prisão do ex-diretor da Petrobras, condenado em processos da Lava Jato.

- Ministro do STF, Dias Toffoli Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

Ministro do STF, Dias Toffoli Foto Paulo Pinto/Agencia Brasil

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), alterou seu voto e passou a acompanhar o ministro Gilmar Mendes pela anulação das ações e das provas que embasaram as condenações do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos principais alvos da Operação Lava Jato.

A decisão, tomada no âmbito da Segunda Turma do STF, pode resultar na revogação da prisão do ex-executivo, que está detido desde agosto de 2024. O julgamento ocorre em plenário virtual, e o prazo para que os ministros registrem seus votos se encerra em 10 de novembro.

Reviravolta no julgamento

Em 2024, Toffoli havia negado o pedido da defesa de Duque, mas mudou de entendimento após o voto divergente de Gilmar Mendes, que apontou irregularidades na condução dos processos e eventuais nulidades nas provas produzidas pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

O ministro Gilmar argumentou que as ações movidas contra Duque teriam sido marcadas por abusos e excessos processuais, atribuídos à condução do então juiz Sergio Moro e ao Ministério Público Federal (MPF).

Com o novo voto de Toffoli, formou-se maioria provisória pela anulação, restando ainda os votos dos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça.

Histórico de condenações

Renato Duque foi condenado em 2025 a 29 anos e dois meses de prisão, além do pagamento de multa, pelos crimes de corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença foi assinada pelo juiz federal substituto Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

No mesmo processo, o empresário Luis Alfeu Alves de Mendonça também foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão, com bloqueio de bens e da obra Raízes, do artista Frans Krajcberg, avaliada em R$ 220 mil. Segundo a acusação, propinas pagas entre 2011 e 2012 teriam garantido contratos de mais de R$ 525 milhões à empresa Multitek Engenharia junto à Petrobras.

Um dos símbolos da Lava Jato

Ex-diretor da Petrobras, Renato Duque foi um dos primeiros executivos condenados na Operação Lava Jato, tendo recebido sua primeira sentença em 2015 por associação criminosa. Entre 2016 e 2021, acumulou 11 condenações, com penas que variam entre 10 e 20 anos de prisão.

Nos depoimentos prestados à Justiça, Duque detalhou esquemas de corrupção e repasse de propinas envolvendo operadores financeiros e parlamentares, em contratos da estatal com grandes empreiteiras.

O caso, agora reavaliado pelo Supremo, representa mais um capítulo da reanálise das decisões da Lava Jato, cujos métodos e provas vêm sendo questionados nos últimos anos por supostas violações de garantias constitucionais.

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil
Fonte: STF / G1 / Agência Brasil

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...