O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi preso nesta segunda-feira (3) em nova fase da Operação Lava Jato.
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão
de José Dirceu e sócio dele na JD Consultoria também foi preso, assim
como Roberto Marques, ex-assessor do petista.
Segundo a PF, os presos deverão ser
levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR),
onde permanecerão à disposição da 13ª Vara da Justiça Federal. O
transporte só será feito após autorização do STF (Supremo Tribunal
Federal).
Essa é a 17ª fase da Lava Jato,
denominada “Pixuleco”, e ocorre em Brasília e nos Estados de São Paulo e
Rio de Janeiro. Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, era por pixuleco
que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto se referia à propina que
recolhia das empresas que tinham contratos com a Petrobras.
O foco principal dessa fase são os
beneficiários de pagamento de propinas envolvendo contratos com o Poder
Público, incluindo beneficiários finais e “laranjas” utilizados nas
transações. Também foram decretados o sequestro de imóveis e bloqueio de
ativos financeiros. Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e
passiva, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de
dinheiro.
DIRCEU NA LAVA JATO
O ex-ministro foi citado pelo
ex-executivo da Toyo Setal Julio Camargo durante depoimento dele à
Justiça Federal do Paraná. Camargo afirmou que entregou R$ 4 milhões em
dinheiro vivo a Dirceu a pedido do ex-diretor da Petrobras Renato Duque,
presos em Curitiba (PR).
Ele virou alvo dos procuradores da
Operação Lava Jato porque várias empreiteiras sob investigação fizeram
pagamentos à empresa de consultoria que ele abriu depois de deixar o
governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, no auge do
escândalo do mensalão.
O ex-ministro faturou como consultor R$
39 milhões entre 2006 e 2013. Empresas investigadas pela Lava Jato
pagaram a ele R$ 9,5 milhões, num período em que o diretor de Serviços
da Petrobras era Renato Duque, apontado como afilhado político de Dirceu
-o que ele nega- e atualmente preso em Curitiba.
Os procuradores desconfiam que alguns
desses pagamentos eram propina para facilitar negócios das empreiteiras
com a Petrobras. Dirceu diz que sua empresa de consultoria prestou
serviços, ajudando seus clientes a prospectar negócios e resolver
problemas no exterior.
O advogado Roberto Podval, que defende
Dirceu, negou que ele tenha recebido propina e disse que o delator não
falou a verdade. O depoimento de Camargo complicou a situação do
ex-ministro, que é alvo de um inquérito da Lava Jato por causa dos
pagamentos que recebeu de empreiteiras que tinham negócios com a
Petrobras.
Camargo colabora com as investigações
sobre corrupção na Petrobras desde dezembro do ano passado e já prestou
vários depoimentos às autoridades, mas esta foi a primeira vez em que
falou no assunto.
O nome de Dirceu também foi citado pelo
lobista Milton Pascowitch, delator da Lava Jato. Ele relatou a
investigadores do caso que intermediou o pagamento de propina ao PT e ao
ex-ministro para garantir contratos da empreiteira Engevix com a
estatal de petróleo.
O ex-ministro, segundo o testemunho de
Pascowitch, teria se tornado uma espécie de “padrinho” dos interesses da
empreiteira na estatal. Em contrapartida, passou a receber pagamentos e
favores. De acordo com o lobista, os pedidos de dinheiro também eram
feitos pelo irmão e sócio do petista na JD, Luís Eduardo de Oliveira e
Silva.
Como parte do acerto para a colaboração
com a Justiça, Pascowitch saiu da carceragem da PF, em Curitiba, e
passou a cumprir prisão domiciliar, em São Paulo.
MENSALÃO
Condenado a 7 anos e 11 meses de prisão
no processo do mensalão, por corrupção ativa, José Dirceu ficou 11 meses
e 20 dias na cadeia. Hoje cumpre pena no regime aberto.
Folha Press
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