Aliados do presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), procuraram integrantes dos partidos de
oposição nesta segunda e terça-feira (24) propondo a deflagração do
processo de impeachment contra Dilma Rousseff em troca da preservação do
mandato do peemedebista.
A reportagem confirmou a informação com
cinco integrantes da oposição, segundo quem a proposta saiu após uma
reunião em São Paulo, na segunda, entre os deputados Paulo Pereira da
Silva (SD-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), dois dos principais aliados de
Cunha.
Segundo esses relatos, a oposição daria
os votos suficientes para que o Conselho de Ética da Câmara arquive
sumariamente o pedido de cassação de Cunha -decisão que será tomada na
semana que vem. O presidente da Câmara, então, autorizaria a deflagração
do processo de impeachment contra Dilma e, na sequência, renunciaria à
presidência da Casa, preservando o mandato.
A reportagem apurou que os principais
partidos de oposição avaliaram que a essa altura é praticamente
impossível arquivar sumariamente o processo contra Cunha, mas que no
caso da deflagração do impeachment poderia haver chances de o
peemedebista se salvar na votação final de sua cassação, prevista para
março ou abril de 2016.
Desde que vieram à tona as suspeitas de
seu envolvimento no escândalo do petrolão, Cunha tem buscado governo e
oposição na tentativa de um acordo para salvar seu mandato.
Recentemente, inclinou-se para o lado governista, o que levou o PT a
auxiliá-lo nas manobras de protelação de seu caso no Conselho de Ética.
Em linha contrária, a oposição rompeu com ele.
Rodrigo Maia disse não ter conhecimento
sobre a estratégia e negou que tenha tratado do assunto com Paulinho da
Força. “Esse assunto não foi tratado comigo e não tratei disso com ele.”
A reportagem não conseguiu falar com Paulinho na tarde desta terça.
RENÚNCIA
Segundo oposicionistas e aliados do
presidente da Câmara, embora a proposta tenha sido feita por dois
deputados bastante próximos, Cunha ainda resistiria à ideia de abrir mão
do cargo de presidente da Câmara.
A renúncia tem sido sugerida a ele por
vários deputados. A expectativa é a de que, ao abrir o pedido de
impeachment e deixar o comando da Casa Legislativa, o peemedebista
sairia do centro dos holofotes, direcionaria as atenções para Dilma e
reconquistaria o apoio dos partidos de oposição para evitar uma
cassação.
Embora ainda resista, alguns de seus
escudeiros afirmam que com o agravamento da crise tem diminuído sua
resistência a uma possibilidade de renúncia.
Denunciado pela Procuradoria-Geral da
República sob acusação de integrar o petrolão, Cunha é investigado ainda
por ter omitido patrimônio milionário no exterior. Na semana passada,
sua tropa de choque inviabilizou a sessão do Conselho de Ética que
analisava o seu caso, manobra que engrossou o coro do “fora Cunha”.
Folha Press
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