Documento do Ministério Público
Federal revela que o senador Delcídio Amaral (PT-MS), em conluio com o
banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, ofereceu pagamento de R$ 4
milhões ao advogado Edson Ribeiro, contratado por Nestor Cerveró, para
que o investigado não firmasse acordo de delação premiada na Lava-Jato.
Eles foram presos nesta quarta-feira em mais uma etapa da operação. A
alternativa seria Cerveró assinar o acordo, mas não mencionar nem
Delcídio, nem Esteves nos depoimentos. A dupla também teria pago R$ 50
mil a Bernardo Cerveró, filho do investigado, em troca do silêncio do
depoente. O restante da família receberia a mesma quantia mensal como
recompensa.
A revelação foi feita pelo ministro
Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste momento, Zavascki lê na Segunda Turma do tribunal sua decisão de
mandar prender Delcídio, Esteves, Ribeiro e o chefe de gabinete do
parlamentar, Diogo Ferreira. Ele quer que o colegiado referende sua
decisão de prender Delcídio. Pela Constituição Federal, um parlamentar
só pode ser preso antes de condenado em caso de flagrante. Para
Zavascki, a tentativa do senador de obstruir as investigações da
Lava-Jato revela o flagrante.
FUGA PELO PARAGUAI
Ainda segundo o Ministério Público
Federal, Delcídio participou de reunião em que foi planejada a fuga de
Cerveró para a Espanha, porque o investigado tem cidadania espanhola. O
senador chegou a sugerir uma rota pelo Paraguai e também o tipo de avião
que o transportaria até o país europeu.
Outro motivo que levou o ministro a
mandar prender o senador foi o fato de que, em reunião com o advogado de
Cerveró, Delcídio teria prometido a libertação do réu no STF. Ele disse
que tinha conversado com Zavascki e com o ministro Dias Toffoli sobre a
concessão de habeas corpus. E prometeu que pediria ao vice-presidente
Michel Temer e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que
falassem com o ministro Gilmar Mendes sobre o tema. Para Zavascki, é
impressionante “a desfaçatez com que se discute a intercessão política
na mais alta corte brasileira”.
— A intervenção de Delcídio Amaral
perante o STF, ainda que não tenha persuadido ministros, revela conduta
de altíssima gravidade — disse o relator da Lava-Jato.
Para o ministro, é importante manter o senador preso, para que as investigações não sejam prejudicadas.
— A conduta revela que Delcídio Amaral não medirá esforços para embaraças as investigações da Lava-Jato — declarou.
Depois da fala de Zavascki, os outros
quatro integrantes da Segunda Turma votarão se mantêm a decisão do
relator, ou se libertam o senador.
O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário