quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O momento em que Delcídio sentiu que a casa caiu

o-momento-em-que-delcidio-sentiu-que-a-casa-caiuFoto: Igo Estrela/ObritoNews/Fato Online
Passava das dez da noite da terça-feira (24), plenário do Senado praticamente vazio. Em um canto, Renan Calheiros dava uma entrevista informal a um pequeno grupo de jornalistas. Na outra ponta, depois de se despedir do colega Walter Pinheiro (PT/BA), o senador Delcídio Amaral, líder do governo, ao ler a manchete do Fato Online de que haveria uma reunião secreta da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, ficou lívido. Chamou seu chefe de gabinete. “Olha aqui, Diogo. F….”. Hoje de manhã, Delcídio e Diogo Ferreira foram presos, por ordem do Supremo.
Na noite de terça, Delcídio, abalado, parecia antever o que aconteceria. “ Só faltava isso para fechar esse dia infernal”. Ele tinha bons motivos para se lamentar. Havia marcado um café naquela manhã com o empresário Maurício de Barros Bumlai, no hotel Golden Tulip, com o propósito de dar uma força para o pai dele, o empresário José Carlos Bumlai, que estava em Brasília para depor na CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Delcídio telefonou para Maurício. Atendeu uma voz desconhecida, dizendo que ele estava ocupado e não poderia falar. “Acho que era um policial”. Logo depois, ele recebeu um whatsapp de um informante, que estava hospedado no quarto ao lado do ocupado por Maurício. A mensagem o assustou: José Carlos Bumlai estava sendo preso e seria levado para Curitiba, e os filhos Maurício e Guilherme obrigados a prestar depoimentos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Delcídio integra uma espécie de gabinete de crise do ex-presidente Lula para acompanhar a Operação Lava-Jato. Eles se encontram toda semana em Brasília ou São Paulo. Sua principal missão era monitorar o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró para evitar estragos maiores caso ele fechasse uma delação premiada. Cerveró foi indicado por Delcidio para a diretoria na Petrobras. O advogado Edson Ribeiro fazia a ponte entre Delcidio e Cerveró. Ribeiro também foi preso hoje. O motivo foi a pressão para Cerveró não contar tudo o que sabe.
Há semanas, quando o cerco a Bumlai começou a fechar, com a divulgação da delação premiada do lobista Fernando Baiano, o entorno do ex-presidente Lula espalhou que, mais uma vez, ele se sentia traído. A notícia atordoou Delcídio. Bumlai é seu conterrâneo e amigo. Pelas mãos dele e do ex-governador Zeca do PT, em 2002, o pecuarista se aproximou e se tornou parceiro de Lula, inclusive em churrascos e pescarias. Delcídio convenceu Lula a não hostilizar Bumlai, com o receio de que, acuado, ele também faça uma delação premiada.
Na quinta-feira (12), Lula teve novo encontro com Delcídio. Estava tenso. Havia sido informado de que o empresário Salim Taufic Schain, um dos donos do grupo Schain, havia prestado um depoimento bombástico para a força-tarefa da Operação Lava-Jato sobre as negociações com José Carlos Bumlai. No depoimento, ele falava sobre negociatas para o pagamento de despesas da campanha de Lula e comprometia o PT, o ex-ministro José Dirceu e os ex-tesoureiros do partido Delúbio e João Vaccari.
Depois da prisão de Bumlai, Delcídio agendou para amanhã uma nova conversa com Lula em São Paulo. Por motivo de força maior, não comparecerá. A dúvida é se Delcídio, que sabe muito, pode ser tornar um novo réu colaborador.
Fato Online

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...