O Centrão planeja intensificar a pressão sobre o Congresso para aprovar uma versão intermediária do projeto de anistia, em benefício do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Em contrapartida, o bloco de partidos busca que Bolsonaro indique até o fim de 2025 o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como seu candidato preferencial à Presidência em 2026.
Fontes do PSD e de outros partidos de centro-direita ouvidas reservadamente pelo Estadão apontam que uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, como defendem aliados de Bolsonaro, é improvável. O consenso deve garantir a saída do ex-presidente do regime fechado, mas sem reabilitá-lo para disputar a eleição.
Segundo lideranças do Centrão, a definição de um sucessor só deve ocorrer após a aprovação da anistia, com prazo estimado para dezembro de 2025 ou, no máximo, janeiro de 2026. A escolha de Tarcísio, apontado como candidato preferencial pelo grupo e por setores da Faria Lima, dependerá ainda de negociações sobre o partido pelo qual ele disputará e a formação da chapa para o governo de São Paulo.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Tarcísio manifestou intenção de se filiar à sigla caso decida concorrer ao Palácio do Planalto. No entanto, aliados projetam que a formalização do nome ocorrerá apenas às vésperas do prazo de desincompatibilização, em abril de 2026.
A eventual filiação de Tarcísio ao PL exigiria compensações ao Republicanos. Entre as alternativas, avalia-se a entrada do vice-governador Felício Ramuth (PSD) no partido, assumindo o governo de São Paulo caso Tarcísio deixe o cargo para disputar a Presidência. Ramuth, porém, não confirmou movimentações, reiterando que qualquer decisão dependerá de acordo com Gilberto Kassab, presidente do PSD e secretário de Governo.
O cenário paulista também envolve outros nomes. O MDB pretende lançar o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, enquanto Kassab demonstra interesse em integrar a chapa estadual. O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), embora prefira concorrer ao Senado, é pressionado pelo partido a disputar o Palácio dos Bandeirantes, mas sua assessoria nega a possibilidade.
Nova inelegibilidade dificulta plano de Bolsonaro
Antes de cumprir prisão domiciliar, Bolsonaro chegou a considerar manter a candidatura presidencial em 2026, contando com decisões favoráveis do TSE e mudanças na composição do STF, que seriam presididos por Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por ele.
A condenação da Primeira Turma do STF, porém, torna a estratégia inviável. Pela Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro ficará inelegível por 8 anos após o cumprimento da pena, somando-se aos 27 anos da condenação, o que impediria qualquer candidatura futura. Mesmo mudanças na contagem da inelegibilidade, previstas em projeto aprovado pelo Congresso, não alterariam o bloqueio durante o cumprimento da pena.
“Enquanto estiver com os direitos políticos suspensos, ele não pode concorrer à eleição”, afirmou o advogado Alberto Rollo, especialista em Direito Eleitoral.
Estadão
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