A gestão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) em Mossoró oficializou a doação de dois terrenos públicos, que somam 21.963,53 m² — área equivalente a três campos de futebol — à empresa Oeste Verde Pré-Moldados Ltda. A medida chama atenção não apenas pelo tamanho das áreas, localizadas na comunidade da Barrinha, mas também pelo perfil do beneficiado: o sócio-diretor da empresa, Francisco Diego Costa Dantas, é também proprietário da Sama Serviços Médicos Hospitalares, que mantém contratos milionários com a própria Prefeitura desde 2021.
Os valores pagos à Sama impressionam. Apenas no primeiro ano da atual gestão, a empresa recebeu R$ 14,6 milhões. Em 2022, o montante saltou para R$ 23,3 milhões; em 2023 chegou a R$ 29,4 milhões; em 2024 foram mais R$ 28,6 milhões. Já em 2025, até agosto, a empresa já havia faturado R$ 20 milhões dos cofres públicos. Todos os contratos foram firmados por meio de inexigibilidade de licitação — mecanismo que dispensa concorrência pública — amparados na Inexigibilidade nº 01/2021.
A doação dos terrenos foi oficializada em duas etapas: a primeira em 25 de agosto de 2023, com a Lei nº 4.052, que destinou um lote de 12.007,60 m²; a segunda em 21 de dezembro do mesmo ano, pela Lei nº 4.099, referente a um terreno de 9.955,93 m².
Histórico de investigações
O empresário beneficiado não é um nome novo em polêmicas. Francisco Diego Costa Dantas já esteve no centro de diferentes investigações. Em 2004, foi flagrado em Teresina (PI) tentando fraudar um vestibular com gabaritos e celulares — o caso acabou prescrevendo. Em 2012, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposta manipulação de licitação da CBTU em Natal, processo que ainda tramita em grau de recurso. Dois anos depois, em 2014, um relatório da Secretaria de Saúde apontou vínculos de Dantas com a Associação Marca, envolvida em escândalos de terceirização da saúde em Natal e Mossoró.
Agora, o empresário volta a ganhar espaço nos noticiários locais, desta vez como beneficiário direto de áreas públicas doadas pela Prefeitura, ao mesmo tempo em que suas empresas seguem como algumas das principais destinatárias de recursos da saúde municipal.
Fonte: Alto Oeste Divulgação
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