O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (17/9), durante almoço com lideranças do PDT, que não vê objeções a uma eventual redução das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. Segundo relatos de ao menos três participantes do encontro, o petista chegou a mencionar diretamente o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Se ele ficar dois, três anos preso, já está bom”, teria dito Lula, em referência à condenação de Bolsonaro.
Na conversa, Lula lembrou os 580 dias que passou preso em Curitiba, período que classificou como uma “eternidade”. A declaração do presidente ocorre em meio às articulações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tenta barrar a proposta de anistia ampla aos envolvidos no 8 de Janeiro e, como alternativa, aprovar apenas a redução das penas.
Segundo aliados de Motta, uma das versões em discussão poderia reduzir a pena de Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão — para algo entre seis e oito anos.
Encontro reservado no Alvorada
O almoço com os pedetistas ocorreu no Palácio da Alvorada, em reunião fora da agenda oficial. Participaram o ministro da Previdência, Wolney Queiroz; o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi; e parlamentares da sigla, entre eles o líder na Câmara, Mário Heringer (MG), além do deputado André Figueiredo (CE) e da senadora Leila Barros (DF).
De acordo com relatos, o clima foi cordial. Ainda assim, Lula ouviu queixas de que o PDT estaria subrepresentado na Esplanada, ocupando apenas uma pasta ministerial.
O presidente também não deixou de criticar a postura da bancada pedetista na votação da chamada PEC da Blindagem, aprovada na véspera com apoio da maioria dos deputados do partido.
2026 no horizonte
Lula aproveitou o encontro para reforçar seu desejo de contar com o apoio formal do PDT em 2026, quando tentará a reeleição. A resposta dos pedetistas foi cautelosa: afirmaram que, se não lançarem candidatura própria, a tendência será apoiar o petista.
Igor Gadelha – Metrópoles
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