Por VEJA
No domingo do dia 18 de outubro, o
empresário Marcelo Odebrecht passou o aniversário de 47 anos no pavilhão
superior do Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana
de Curitiba, onde está preso há quatro meses. No dia seguinte, o juiz
Sérgio Moro decretou pela terceira vez a sua prisão preventiva, em uma
nova ação penal. Agora, sua defesa, que já havia desistido de conseguir a
soltura na primeira instância, aposta todas as fichas nos tribunais
superiores. O principal indicativo se essa tática poderá ter resultado
virá em breve.
A defesa de Odebrecht avalia que o
julgamento do habeas corpus de dois executivos da Andrade Gutierrez no
Superior Tribunal de Justiça, previsto para as próximas semanas, será a
senha para avaliarem se a mudança na composição do tribunal no início de
outubro significará também uma mudança no destino de seu cliente. Se o
resultado for favorável aos executivos da Andrade, apostam os advogados,
Marcelo Odebrecht será o próximo beneficiado.
Nos dias 1º e 2 de outubro, deixaram a
quinta turma do STJ Newton Trisotto e Leopoldo Raposo, dois
desembargadores que até então vinham votando contra os réus da
Lava-Jato. No julgamento em março de um habeas corpus para o empresário
Adir Assad, por exemplo, o placar ficou em 3 a 2 contra a soltura, com
votos dos dois pela manutenção da prisão. Entraram em seus lugares os
ministros Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e Jorge Mussi. Com a nova
composição da quinta turma, a esperança da defesa de Odebrecht é de que a
balança mude a favor do empreiteiro. “Espero que os ministros
reconheçam que os argumentos usados pela acusação não são capazes de
justificar manter meu cliente preso preventivamente”, afirma o advogado
Nabor Bulhões, contratado em julho pela Odebrecht.
Vida na prisão –
Enquanto a decisão não sai, Marcelo Odebrecht tenta se adaptar à vida de
presidiário. Segundo pessoas que o visitaram, o empresário, hiperativo,
passa quase todo o tempo do banho de sol fazendo exercícios. Faz
barras, flexões de braço, agachamentos e abdominais. Sua cela, que
divide com o subordinado Rogério Araújo, é tão organizada que ganhou o
apelido de cela da “ditadura”, em contraposição à da “democracia” –
vizinha, com regras mais flexíveis, que abriga dois detentos, incluindo
outro executivo da empresa.
A presença dos bilionários alterou a
rotina do presídio. Uma denúncia de um funcionário do local de que os
presos da Lava-Jato teriam regalias levou à abertura de uma sindicância e
derrubou o diretor da unidade, Marcos Marcelo Muller. A investigação
apura se os presos receberam alimentos proibidos dentro do complexo – há
alguma semanas, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque serviu uma
feijoada aos colegas, segundo a defesa de um dos presos no local. Uma
podóloga que entrou para atender o ex-deputado Pedro Corrêa, que
conseguiu o benefício por sofrer de problemas de saúde, teria atendido
também outros detentos, por 250 reais a sessão. A sindicância ainda não
foi concluída.
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