Pouco depois das 16 horas do dia 5 de
novembro, o distrito histórico de Bento Rodrigues, na cidade mineira de
Mariana, foi varrido do mapa por uma enxurrada de 62 bilhões de litros
de lama resultantes do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco.
Outros sete distritos de Mariana foram afetados. Doze pessoas morreram e
moradores da região continuam desaparecidos. A fauna do rio Doce foi
praticamente aniquilada e não há estimativa segura sobre a possibilidade
de revitalização da bacia hidrográfica da região.
Em Brasília, a quase 700 quilômetros de
distância da tragédia, a presidente Dilma Rousseff nada fez de concreto –
sobrevoou a região do acidente apenas uma semana depois do rompimento
das barragens. No Congresso, a esfacelada base aliada trava uma briga de
foice para, nas eternas discussões sobre um futuro marco regulatório da
mineração, amealhar um naco dos bilionários royalties do setor: nenhum
interesse real em ampliar a fiscalização das mineradoras, generosas
doadoras nas últimas campanhas eleitorais. Duas semanas depois do pior
desastre ambiental de que se tem notícia no país, o Serviço Geológico do
Brasil mapeia com preocupação os estragos do mar de lama.
Na Câmara dos Deputados, há mobilizações
tímidas em torno de uma CPI e uma comissão externa foi criada. No
Senado, também um conjunto de parlamentares se propõe a mapear os
estragos e responsabilidades do desastre. Para o relator desse grupo,
Ricardo Ferraço (PMDB-ES), a tragédia era “anunciada”, já que governo e
mineradoras se eximem ano após ano de fazer políticas estruturadas para o
setor.
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