Rio Doce (Foto: RICARDO MORAES / REUTERS)
Dandara Tinoco, O Globo
A mancha alaranjada que vem avançando com a onda de rejeitos de
minério lançada pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG) começou a
invadir o mar do Espírito Santo ontem. Depois de percorrer mais de 500
quilômetros ao longo do Rio Doce, a massa de água alcançou a foz durante
a tarde. Hoje, deve ficar ainda mais turva. Inicialmente, a mancha
alcançou o oceano pela barra norte da foz, como previram técnicos da
Prefeitura de Linhares que sobrevoaram o distrito de Regência mais cedo.
A abertura foi alargada com auxílio de retroescavadeiras durante a
manhã.
Durante a tarde, muitos curiosos ocuparam o porto da
vila na expectativa de testemunhar a alteração da paisagem. Vestidos de
morte, dois manifestantes transitaram de barco em frente ao local e
foram aplaudidos pelos curiosos. Um deles carregava uma foice em que
estava escrito o nome da Samarco, empresa controlada pela Vale e pela
BHP Billiton, responsável pela barragem que se rompeu no dia 5 deste
mês, devastando o distrito de Bento Rodrigues.
Funcionários da mineradora também estavam no local. Uma empresa
contratada pela companhia instalou nove quilômetros de boias para tentar
mitigar os impactos ambientais em áreas sensíveis do estuário. Essas
estruturas ainda poderão ser deslocadas de lugar a depender do
comportamento da onda de rejeitos de minério.
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