O próximo alvo do grupo que
pediu ao Ministério Público Federal (MPF) a investigação sobre as
relações da Volkswagen com a ditadura militar é a Petrobras. A estatal é
acusada de contribuir para a prisão de petroleiros, que foram
torturados e, depois, impedidos de exercer a profissão durante o regime
militar. Além disso teria ajudado a cassar centenas de funcionários e
fichado milhares de trabalhadores do setor.
O Estado procurou a empresa, mas a
petroleira não se manifestou. “Durante os trabalhos da Comissão Nacional
da Verdade (CNV) encontramos muitos documentos que mostram a ligação da
empresa com essas prisões”, afirmou Sebastião Lopes de Oliveira Neto,
que coordenou o grupo de trabalho sobre a repressão aos trabalhadores e
ao movimento sindical, da CNV. Ele cita o caso do ex-deputado federal
Mário Lima (PSB-BA), que foi cassado em 1964 e, depois, preso. Lima foi
um dos fundadores do sindicato dos petroleiros da Bahia.
Neto diz que a CNV constatou no caso da
Petrobras que “131.277 fichas de controle político-social foram
elaboradas”. De fato, o relatório da CNV afirma que, após o golpe, foram
desencadeados “numerosos processos de auditoria, sindicância e
inquéritos administrativos”. “Alguns desses procedimentos de controle
alcançaram trabalhadores contratados por subsidiárias e prestadoras de
serviço da Petrobras.” O documento lembra que muitos dos cargos da
empresa foram ocupados por oficiais do Exército.
DOI
Além da Volkswagen e da Petrobras,
outras empresas foram apontadas pela CNV como envolvidas no
financiamento de órgãos da repressão do regime militar. Se a montadora
alemã fornecia os Fuscas usados pela Seção de Investigação do
Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 2.º Exército, a Ford
doou o Corcel usado pelo capitão Ênio Pimentel da Silveira, o Doutor
Ney, chefe da seção e responsável por operações que resultaram na morte
de pelos menos 40 militantes de grupos de esquerda.
Já a General Motors entregou os Opalas
usados em operações do DOI de 1971 a 1974. Também são citadas em
relatório da CNV e na investigação do caso a Toyota, a Scania a
Mercedes-Benz, a Chrysler, todas do ABC, e a Caterpillar, do Vale do
Paraíba, além de outras empresas.
A Toyota informou que “não possui
qualquer registro ou evidências relacionadas a essas questões”. A
Mercedes-Benz disse que a empresa realizou várias análises e “não
descobriu nenhuma evidência” relacionada aos episódios.
A Caterpillar afirmou não ter sido
procurada pela CNV e que está “à disposição para ajudar no que for
possível”. A Chrysler disse que o grupo atual não tem qualquer relação
com a empresa que atuou no Brasil nos anos 70. Ford, GM e Scania não
responderam ao Estado.
Ultragaz
Outro caso considerado emblemático por
Oliveira Neto é o da Ultragaz. Ela é apontada como uma das principais
financiadoras das operações do DOI do 2.º Exército, o maior do País,
durante o comando exercido pelo então major Carlos Alberto Brilhante
Ustra. “É outro caso que estudamos e reunimos muitas provas”, afirmou. O
Estado procurou a Ultragaz e foi informado que a empresa não se
manifestaria sobre as denúncias de apoio à repressão.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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