A capital belga amanheceu neste domingo
pelo segundo dia seguido com as ruas desertas, metrô, lojas e museus
fechados, enquanto as autoridades continuam as buscas por pelo menos
dois terroristas e temem um atentado parecido com o de Paris. A presença
policial e militar também foi intensificada em Bruxelas, que se tornou o
centro das investigações e está sob alerta máximo antiterror. Os
serviços de inteligência, da polícia e judiciais se reúnem mais tarde
para reavaliar a situação, que mantém os moradores e turistas do país
amedrontados e pode permanecer pela próxima semana.
Dois terroristas na região de Bruxelas
poderiam cometer atos muitos perigosos — disse Bernard Clerfayt, o
prefeito do distrito de Schaerbeek, em Bruxelas. — Enquanto essa ameaça
ainda existe, devemos ficar muito atentos.
Após relatos de que um dos envolvidos no
massacre da semana passada está na Bélgica, a polícia segue a caçada
por Salah Abdeslam. O terrorista, irmão de um homem-bomba em Paris,
deveria ter se explodido em Paris, mas fugiu da cena do crime e agora é
apontado pelas autoridades como altamente perigoso.
Segundo relatos, na viagem de volta para
Bruxelas a partir da França, seu carro foi parado três vezes, mas os
agentes ainda não o tinham identificado. O jihadista, de 26 anos,
estaria em contato com amigos através do Skype, pedindo ajuda para
voltar para Síria. Mas a polícia busca também outros extremistas
suspeitos.
Neste domingo, seu irmão Mohamed
Abdeslam disse que Salah não ‘chegou até o fim’ e fez mais um apelo para
ele se entregar à polícia. Em entrevista à uma TV belga, o jovem disse
que preferia ver o suposto jihadista na prisão do que no cemitério.
— É mais do que uma especulação, é minha
convicção. Salah é muito inteligente, acredito que no último minuto
decidiu voltar atrás — afirmou Mohamed. — Talvez tenha visto ou escutado
algo que não esperava, e decidiu não chegar até o final do que queria
fazer.
Na madrugada de sábado, o centro de
crise belga advertiu o governo sobre uma ameaça de ataque terrorista
“séria e iminente”, provocando uma paralisação da capital do país. A
circulação do metrô foi interrompida, o comércio não abriu as portas,
partidas de futebol e shows foram cancelados e a população foi
aconselhada a evitar multidões. Segundo o primeiro-ministro Charles
Michel, o alerta foi baseado em informações precisas.
Além disso, a presença policial e
militar foi intensificada em diversas áreas da cidade, incluindo as
instituições da União Europeia com sede na cidade. Bruxelas é também a
sede da Otan.
Para o resto do país segue em vigor o
nível de alerta 3, elevado, que se aplica nos casos de ameaça “possível e
provável” e que havia sido adotado após os atentados na capital
francesa.
O Globo
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