domingo, 1 de novembro de 2015

Sem o barulho das ruas, Eduardo Cunha será salvo

Por Ricardo Noblat
Como ninguém a eles se opõem com a energia dos desassombrados e a autoridade moral dos sinceramente indignados, Eduardo Cunha e seus acólitos valem–se de todos os recursos possíveis, os limpos, os suspeitos e os escrachados para alcançar seu principal objetivo – preservar o cargo de presidente da Câmara e o mandato de Eduardo, ameaçados por quebra de decoro.
Falta pouco para que Eduardo se torne réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de corrupção. A demora, contudo, interessa a ele, ao governo e à oposição. Eduardo é um náufrago que se debate em mar aberto. O governo sabe disso, mas o prefere vivo para impedir o impeachment de Dilma. Sem Eduardo, a oposição sabe que não haverá impeachment.
Com licença para matar conferida pelos dois lados, ele e sua turma vão à luta. Um aliado de Eduardo, o deputado Beto Mansur (PRB-SP), foi designado relator do processo contra ele que corre na
Corregedoria da Câmara. Mansur foi escolhido pelo 1º vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA) que, assim como Eduardo, também é investigado por corrupção na Petrobras.
A ação na Corregedoria avança paralelamente à ação no Conselho de Ética da Câmara, que recebeu na última quarta-feira da Mesa Diretora o pedido de abertura de processo contra Eduardo. Na
Corregedoria, caberá ao corregedor produzir um relatório, que será votado pela Mesa controlada por Eduardo. Ao final, o relatório poderá ser encaminhado ao Conselho de Ética.
Ali, onde se travará a batalha decisiva, Eduardo tenta desde já cooptar a maioria dos seus 21 membros. Vale tudo para isso, embora os deputados prefiram esconder o que se passa. Vale, até, forçar a renúncia de quem se disponha a votar contra Eduardo. É o que acontecerá com o deputado Wladimir Costa (SD-PA).
Aos repórteres Evandro Éboli e Luiza Souto, de O Globo, Costa antecipou que renunciará em breve à sua vaga de titular no Conselho de Ética. Há um mês ele havia anunciado que votaria pela cassação do mandato de Eduardo. Agora, alega motivos de saúde para abandonar o Conselho. Nega que tenha sido pressionado para isso.
O presidente do SD, o também deputado Paulinho da Força (SP), pau mandado de Eduardo, escolherá o substituto com base em um critério que ele mesmo faz questão de alardear sem o menor pingo de constrangimento:
– O escolhido tem que ser alguém que defenda e vote com Eduardo.
Cerca de duas mil mulheres foram às ruas de São Paulo, ontem, protestar contra Eduardo, alvo de críticas devido ao projeto de lei 5069/13, que prevê cadeia para quem induzir ou auxiliar uma gestante a abortar. Um dia antes, pelo mesmo motivo, cerca de 500 ocuparam as escadarias da Cinelândia, no centro do Rio. Gritaram “Fora, Eduardo”.
À falta de uma Câmara pouco permeável aos maus costumes, somente as ruas poderão evitar o acordão entre governo e oposição para salvar Eduardo.

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