domingo, 7 de setembro de 2025

Crise na saúde de Natal: mortes, greve e investigações marcam contratos com a Justiz

 A saúde pública de Natal enfrenta uma das maiores crises dos últimos anos. A substituição da Coopmed/RN pelas empresas Justiz Terceirização e Proseg Consultoria, responsáveis pela escala médica da rede municipal desde setembro, provocou mortes de pacientes, greve de profissionais e abriu espaço para investigações do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN).

Nos últimos dias, a situação se agravou. No Hospital dos Pescadores, na Zona Oeste da capital, três pacientes morreram em apenas 48 horas. Relatos de familiares e médicos denunciam plantões exaustivos de até 70 horas seguidas, além da ausência de especialistas em unidades de pronto atendimento. “A sobrecarga é insustentável”, afirmou um profissional que preferiu não se identificar.

Escalas incompletas e greve

Com a falta de médicos e a pressão para cumprir escalas mínimas, o Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) decretou greve geral nas unidades de saúde de Natal no dia 1º de setembro. A entidade acusa a Prefeitura de desrespeitar decisões judiciais e de expor pacientes e trabalhadores a riscos graves.

A administração municipal, por sua vez, classificou a paralisação como “irresponsável” e acusou o sindicato de coagir médicos a não aderirem aos novos contratos. “Médico não é propriedade de entidade nenhuma. Ele pode trabalhar na empresa que quiser”, disse o secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho.

Ministério Público na linha de frente

Diante do caos, o MPRN iniciou fiscalização sobre os contratos emergenciais firmados com a Justiz e a Proseg. O órgão apura denúncias de falhas no atendimento, além de possíveis irregularidades no processo de contratação.

A Prefeitura de Natal sustenta que a dispensa de licitação foi legal, com ampla concorrência — quase dez empresas teriam manifestado interesse. O edital chegou a ser questionado na Justiça, mas foi republicado sem a exigência de registro no Conselho Regional de Administração (CRA), o que, segundo o município, não alterou o resultado.

Argumentos em disputa

Prefeitura de Natal

  • Continuidade dos atendimentos: a gestão municipal afirma que os contratos emergenciais eram indispensáveis, já que a Coopmed atuava sem vínculo formal desde junho de 2023, recebendo quase R$ 90 milhões de forma indenizatória.

  • Legalidade do processo: o município alega que a contratação seguiu a lei e corrigiu “fragilidades jurídicas e contratuais” herdadas da antiga cooperativa.

  • Segurança jurídica: a formalização com Justiz e Proseg, segundo a SMS, garante direitos trabalhistas claros para médicos.

  • Acusações contra entidades médicas: a Prefeitura acusa a Coopmed e o Sinmed de coação e ameaças contra profissionais que migraram para os novos contratos.

Coopmed e Sinmed

  • Defesa da cooperativa: a Coopmed afirma ter sempre participado de licitações com transparência e nega irregularidades.

  • Contestação à dispensa emergencial: a entidade questiona a legalidade da contratação da Justiz e da Proseg, alegando que o processo compromete a transparência e a segurança dos médicos.

  • Denúncia de descumprimento judicial: o Sinmed acusa a Prefeitura de ignorar decisões da Justiça durante a transição, o que teria gerado tumulto nas unidades e aumento dos riscos aos pacientes.

  • Crítica à gestão: as duas entidades afirmam que a crise decorre da substituição precipitada da cooperativa, medida que não resolve os problemas estruturais da saúde de Natal.

Justiça mantém contratos

Apesar da polêmica, a Justiça potiguar manteve, em segunda instância, a validade dos contratos emergenciais com a Justiz e a Proseg até julgamento definitivo. O Tribunal de Justiça do RN (TJRN) considerou que a manutenção dos serviços é essencial para não interromper o atendimento à população.

Enquanto a Prefeitura promete normalizar as escalas até a próxima semana, famílias enlutadas e médicos exaustos cobram respostas urgentes. A crise da saúde de Natal, longe de se encerrar, expõe os limites de um sistema fragilizado por disputas jurídicas, contratos precários e pacientes que pagam o preço mais alto: a própria vida.


FONTE: AGORA RN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...