— Conheço o Lula há muitos anos e tenho
convicção de que ele é uma pessoa idônea, honesta. Nunca praticou
ilícito e, tenho certeza, não permitiria que ninguém em seu entorno
praticasse — disse o ministro ao GLOBO na noite de quarta-feira.
A partir da Operação Zelotes, a Polícia
Federal e o Ministério Público Federal investigam se os lobistas Mauro
Marcondes Machado, José Ricardo Silva e Cristina Mautoni, entre outros,
concederam alguma vantagem material a Luis Cláudio e ao ex-ministro
Gilberto Carvalho em troca de benefícios fiscais a Mitsubishi e a Caoa,
representante da Hyunday, a partir de uma medida provisória editada em
2009 pelo então presidente Lula e reeditada, com algumas alterações, em
2011 e 2013 pela presidente Dilma Roussef.
O filho do ex-presidente se tornou alvo
da Zelotes após a descoberta de que a Marcondes e Mautoni, empresa de
Mauro Marcondes, fez um pagamento de R$ 1,5 milhão para a LFT ano
passado sem, aparentemente, uma justificativa plausível. O Ministério
Público considerou “estranho” o pagamento. Carvalho foi chamado para
depor porque, entre papéis manuscritos apreendidos com Marcondes numa
fase anterior da Zelotes, os policiais identificaram anotações de alguns
números e o nome do ex-ministro ao lado da palavra “café”.
CAFÉ COMO SENHA PARA PROPINA
Para os investigadores, café poderia ser
um café da manhã com Carvalho ou propina. Carvalho e o advogado de Luis
Cláudio consideraram ação da polícia e do Ministério Público excessiva e
arbitrária. Cardozo não endossou as criticas, mas defendeu Lula,
atingido indiretamente pelas investigações. O pedido de busca no
escritório das empresas de Luis Claudio partiu dos procuradores que
atuam no caso e não da Polícia Federal.
— Eu não emito juízo de valor sobre o
que não cabe ao ministro da Justiça opinar. Minha posição é respeitar a
autonomia das instituições. Agora, se alguém aponta que houve algum
indício de abuso de autoridade, mando apurar — afirmou.
Logo depois do início das buscas na LFT
Marketing e da divulgação da notícia sobre a inclusão de Gilberto
Carvalho entre os investigados da Zelotes, setores do PT mais próximos
ao ex-presidente passaram a pedir abertamente a demissão do ex-ministro.
Para alguns petistas, o ministro não tem coibido suposta manipulação
política de inquéritos criminais para atingir o ex-presidente e outros
políticos do partido.
Até o ex-presidente se queixou da ação
da PF à presidente Dilma Rousseff. Na última reforma ministerial, Lula
já tinha sugerido a troca de Cardozo pelo vice-presidente Michel Temer
(PMDB) no comando do Ministério da Justiça. O recrudescimento das
críticas até levou o ex-ministro a conversar com a presidente sobre o
assunto. Mas, mais uma vez, Dilma reafirmou a decisão de manter o
ministro no cargo.
A explicação de Cardozo para os críticos
é sempre a mesma. Ele diz que não pode pedir que a polícia investigue
ou deixe de investigar quem quer que seja. As investigações têm regras
próprias e autoridades que cometem excessos também estão sujeitas à
punição.
O Globo
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