Com essa decisão, a cúpula do partido
deixa claro que a palavra final sobre como proceder com Cunha será da
direção. O próprio Lula já havia afirmado que Cunha tem direito a uma
ampla defesa das acusações.
No auge do distanciamento da relação
entre Dilma e Lula e sob a pior crise de seus 35 anos, o PT também
tentará adotar um discurso de unidade em várias trincheiras –
desbastando até mesmo as críticas mais ácidas ao ministro da Fazenda,
Joaquim Levy -, mas a divisão no partido é evidente.
Embora seis correntes do PT queiram que a
sigla defenda desde já a cassação do mandato de Cunha, a estratégia
combinada com o Palácio do Planalto é ganhar tempo. Suspeito de manter
contas secretas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás, o
presidente da Câmara conseguiu retardar o processo contra ele no
Conselho de Ética e pode ser julgado somente em 2016 por seus pares.
Cabe a Cunha decidir se dá ou não
sequência ao impeachment contra Dilma, mas ele já tem um “álibi”: a
assessoria técnica da Câmara emitiu parecer sugerindo a aceitação do
requerimento apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e
Janaína Paschoal, que pede o afastamento da presidente. Diante desta
ameaça, a cúpula do PT e o governo fazem de tudo para não provocá-lo.
Nos bastidores, ministros avaliam que
Cunha pode até mesmo ser obrigado a deixar o comando da Câmara, por
ordem do Supremo Tribunal Federal, antes mesmo da decisão sobre seu
futuro. Em conversas reservadas, aliados do deputado contaram que ele já
ameaçou aceitar o pedido de impeachment de Dilma, caso o Supremo tente
tirá-lo do cargo.
‘Banho maria’. A ordem para não cutucar
Cunha e adotar a tática do “banho maria” já rachou o PT. Até agora, 32
dos 64 deputados do PT assinaram representação encabeçada pelo PSOL e
pela Rede, cobrando a cassação do presidente da Câmara. Além disso, a
corrente Mensagem ao Partido, grupo do ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, apresentará hoje um documento pedindo respaldo do PT à ação
contra Cunha.
“Os três deputados do PT no Conselho de
Ética devem se pronunciar de forma unitária, mas não vamos nos
manifestar previamente a respeito de uma questão sobre a qual Eduardo
Cunha nem sequer se defendeu ainda”, disse o presidente do PT, Rui
Falcão. “Como vamos julgar quem ainda nem é réu no Supremo? Está certo
que não dão esse tratamento para nós, que somos sempre culpados até
prova em contrário, mas não faremos isso.”
Na reunião dessa quarta-feira da
Executiva Nacional petista, Falcão garantiu que o partido não está
negociando com Cunha. “Quem tem acordo com ele é a oposição, que quer
dar um golpe”, afirmou.
Questionado se não temia que Cunha desse
o pontapé inicial no impeachment, o presidente do PT disse não haver
base jurídica e legal para o afastamento de Dilma. “Isso é mais um
factoide que a oposição quer criar, precipitando uma crise política na
linha do quanto pior, melhor”, reagiu.
Para o secretário de Comunicação do PT,
Alberto Cantalice, o partido terá de acompanhar o caso com cautela. “Não
podemos fazer prejulgamento do presidente da Câmara”, disse ele. “Mas
se até a direita pede a saída dele, como o PT vai ficar atrás?”,
questionou o secretário de Formação Política, Carlos Henrique Árabe.
Isto É, com AE
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