No mesmo dia em que um vídeo
mostrou PMs alterando a cena de um crime no Morro da Providência, no
Centro, um estudo divulgado nesta terça-feira pôs o Rio como a quinta
capital menos violenta do país. Foi o que revelaram dados de 2014,
coletados pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A ONG leva em consideração apenas a soma
de homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de
morte, que classifica como “crimes violentos letais intencionais”. No
ranking que mede a taxa de casos por cem mil habitantes no ano de 2014,
São Paulo (SP) aparece com os melhores resultados, seguida por
Florianópolis (SC), Boa Vista (RR) e Campo Grande (MT). Fortaleza (CE) é
a capital mais violenta. Antes dela aparecem Maceió (AL), São Luís
(MA), Natal (RN) e João Pessoa (PB).
INVESTIMENTOS TIVERAM CRESCIMENTO
Segundo a diretora-executiva do fórum,
Samira Bueno, o Rio está entre as cidades que apresentam “bons exemplos”
recentes na área de segurança. Ela, no entanto, ressalta que a política
pública no setor ainda precisa ser aprimorada:
— As UPPs deram a sensação de que é
possível reverter o quadro de violência, mas as políticas sociais
precisam acompanhar o programa. A discussão é: até quando será possível
reduzir (os números da criminalidade) só com a atividade policial? Há um
limite para esse modelo.
Em relação aos números absolutos, O
GLOBO ampliou o levantamento do fórum (que analisou apenas os anos de
2013 e 2014) e, usando a mesma metodologia (a soma dos crimes) e a mesma
base de dados (o Instituto de Segurança Pública), pesquisou também os
números de 2009 a 2012. Entre 2009, quando as UPPs se massificaram, e
2014, a queda foi de 42% na incidência de homicídios dolosos,
latrocínios e lesões corporais seguidas de morte no Rio. Os números
recuaram até 2012 (de 2.259 para 1.274), voltaram a subir em 2013
(1.389) e caíram de novo em 2014 (1.305). No entanto, não atingiram o
menor número da série histórica.
De acordo com a ONG, os investimentos em
segurança pública têm aumentado ao longo dos anos. Na soma dos gastos
efetuados pela União e pelos governos estaduais, o valor chegou a R$
67,3 bilhões em 2014 (aumento de 17% em relação ao ano anterior). O
Estado do Rio despendeu R$7,7 bilhões em 2014, 9% a mais que no ano
anterior. Segundo Samira Bueno, mais importante do que os valores é a
eficiência dos gastos que são feitos:
— O Brasil tem uma média de gastos
equivalente à de países que apresentam indicadores menores de
criminalidade. Não é só uma questão de orçamento, mas de aprimorar
resultados, compartilhar informações e trabalhar de forma conjunta.
O Globo
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