Os dois novatos se juntam, no grupo de
pré-candidatos, ao veterano Celso Russomanno (PRB) — que, impulsionado
pela fama do quadro de defesa do consumidor, no ar há quase 25 anos na
televisão, chegou a liderar a última eleição paulistana, em 2012. Na
reta final, porém, ele deixou escapar a chance de ir ao segundo turno.
Logo após a derrota daquele ano, Russomanno já anunciou que tentaria a
sorte novamente em 2016, sem antes se eleger deputado federal em 2014.
Do lado da política tradicional, por
enquanto, os nomes mais prováveis para a disputa são o do prefeito
Fernando Haddad (PT), com uma gestão avaliada como ruim ou péssima por
44% dos paulistanos segundo pesquisa Datafolha de fevereiro; e o da
senadora Marta Suplicy (sem partido), que ainda negocia filiação com o
PMDB ou o PSB. A ex-petista também foi uma das pioneiras em usar a TV
como impulso para a carreira política, já que era apresentadora do “TV
Mulher”, nos anos 1980.
Ao se lançar na disputa nesta semana, Datena tentou fazer da sua inexperiência uma aliada.
— Não sou político mesmo e acho que tudo
que o Brasil precisa é de não político. De gente que nunca tentou a
política, de novidade — disse ontem o apresentador, em entrevista à
Rádio Gaúcha, ao falar sobre suas negociações para ingressar no PP.
Para a cientista política Vera Chaia,
coordenadora do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP,
Datena pode ser um candidato com chances reais na eleição.
— Ele está surfando naquilo que todo
mundo quer ver. Querendo dizer: não tenho nada a ver com o que
acontecendo e quero fazer alguma coisa — analisa Vera Chaia.
Tentando enfrentar o constrangimento de
negociar sua candidatura com o PP, partido que tem o maior número de
políticos investigados na Lava-Jato (32), o apresentador disparou na
entrevista de ontem que há no país uma “roubalheira desgraçada que
desmoraliza a classe política”. Também respondeu ao deputado federal
Paulo Maluf, ex-mandachuva do PP no estado e que se declarou contra a
candidatura do apresentador:
— Aprendi com meus pais a respeitar as
pessoas de mais idade. Eu respeito o Maluf como homem, mas como político
jamais apertaria a mão dele para qualquer acordo.
As bandeiras conservadoras também devem ser um trunfo da possível candidatura do apresentador de programa policial.
Esse tipo de discurso também faz parte
do repertório de um outro pré-candidato do PSDB, o deputado estadual
Coronel Telhada, que se lançou ontem. Telhada foi comandante da Rota,
tropa de elite da Polícia Militar. Os tucanos contam agora com seis
nomes na disputa pelo posto de candidato: além de Telhada, João Doria
Jr., Bruno Covas, José Aníbal, Andrea Matarazzo e Fernando Capez.
O Globo
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