O déficit primário representa o
resultado negativo das contas públicas antes do pagamento dos juros da
dívida pública. Em junho, o Governo Central registrou déficit de R$
8,206 bilhões, também o pior resultado para o mês em valores reais. O
déficit no mês passado anulou o superávit primário de R$ 6,626 bilhões
acumulado de janeiro a maio.
Segundo o Tesouro Nacional, a queda na
arrecadação está sendo a principal causa para o desempenho negativo das
contas públicas em 2015. De janeiro a junho, as receitas líquidas caíram
3,3% descontando a inflação. As despesas totais, no entanto, ficaram
estáveis, subindo 0,5%.
A estabilidade das despesas está sendo
puxada pelos investimentos, que somaram R$ 27,797 bilhões nos seis
primeiros meses do ano, queda real (descontada a inflação) de 36,2% em
relação a 2014. Desse total, os gastos com o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) somaram R$ 19,958 bilhões, com uma redução real de
36%. Outra despesa que apresentou diminuição ao considerar a inflação
foi o funcionalismo, com queda real de 1,3%.
No entanto, outros tipos de gastos estão
subindo em 2015, como o custeio (manutenção da máquina pública), com
alta real de 7,3% em 2015 e subsídios e subvenções, com alta real de
108,9% impulsionada pelos financiamentos do Programa de Sustentação do
Investimento, concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES).
As despesas da Previdência Social
acumulam alta de 3,8% acima do IPCA em 2015. Segundo o Tesouro, o
crescimento real deve-se ao reajuste médio de 8,1% no valor dos
benefícios e ao aumento de 3,1% no número de benefícios pagos.
As dificuldades em cortar gastos e em
aumentar as receitas fizeram a equipe econômica reduzir para R$ 8,7
bilhões, 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas
produzidas no país), a meta de superávit primário (economia para pagar
os juros da dívida pública) para 2015. Desse total, 0,10% – R$ 5,8
bilhões – correspondem ao Governo Central.
UOL, via NE10
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