Após ser criticado pelo
deputado Paulo Maluf (PP-SP), cacique do partido ao qual deve filiar-se
para concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2016, o apresentador José
Luiz Datena rebateu o correligionário: “É evidente que jamais apertaria a
mão dele para qualquer acordo político, nem para ser presidente de time
de botão”.
Em entrevista à rádio Gaúcha na manhã
desta quinta-feira (30), Datena afirmou que respeita Maluf -ex-prefeito
de São Paulo e ex-governador do Estado- “como homem”, mas não “como
político”.
O pré-candidato à prefeitura também
ressaltou a perda de influência de Maluf no diretório paulista do PP:
“Acho que já prestei um serviço maravilhoso para o partido, onde ele não
manda mais nada”.
O PP é aliado do atual prefeito da
capital paulista, Fernando Haddad (PT). Durante as eleições de 2012,
quando o petista foi eleito, o partido de Maluf negociou apoio a
diversos candidatos, mas acabou fechando com Haddad -parceria que rendeu
a foto que reúne Maluf, Haddad e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva.
Nesta quarta (29), Maluf defendeu a
parceria, e disse que o PP não deveria ter candidato próprio. “O PP
elegeu Haddad e tem de apoiá-lo à reeleição”, disse o deputado à Folha
de S.Paulo.
“Nós temos de ter o mínimo de coerência,
e eu sou um homem coerente. Se nós elegemos o prefeito Fernando Haddad
(PT), temos de dar o direito dele disputar um segundo mandato”, disse o
ex-prefeito de São Paulo.
Em entrevista à Folha na semana passada,
logo após confirmar que concorreria à prefeitura paulistana, Datena
afirmou que nenhum partido é capaz de controlá-lo.
“Você acha que algum partido é capaz de
me controlar? Eu sou um cara que voo por instrumentos que eu programo.
Quando não concordei com ideias em emissora de televisão [Record], saí e
paguei. Paguei caro, mas paguei. Se as pessoas acham que vão me
transformar numa coisa que não sou, elas estão completamente enganadas”,
disse.
Antes de fechar com o PP, o apresentador
de televisão também foi sondado pelo PSDB, do governador Geraldo
Alckmin, e pelo PSB, do vice-governador Márcio França.
Em 2012, durante a campanha à Prefeitura
de São Paulo, Datena criticou o então candidato, hoje deputado, Celso
Russomanno (PRB), que também apresenta um programa na televisão.
“O fato de o cara ter popularidade
necessariamente não vai significar que ele é um bom administrador ou que
tenha credibilidade”, escreveu Datena no jornal “Metro”, que pertence
ao grupo Bandeirantes. O título do texto era “Urna não é Televisão nem
Igreja”.
Em outras ocasiões, Datena também
mostrou-se contrário a celebridades da televisão que concorrem a cargos
públicos. Na entrevista à rádio Gaúcha, questionado sobre o assunto, o
apresentador limitou-se a justificar a mudança de posição afirmando que o
cenário no país mudou desde então.
Folha Press
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