Preso nesta terça-feira durante a 16ª
fase da Operação Lava-Jato, o presidente licenciado da Eletronuclear,
Othon Luiz Pinheiro da Silva, liderou o Programa Nuclear Paralelo entre
1979 e 1994. Executado sigilosamente pela Marinha, o programa resultou
no desenvolvimento da tecnologia 100% nacional de enriquecimento do
urânio pelo método de ultracentrifugação. Engenheiro e vice-almirante
reformado, Othon disse, em entrevista ao GLOBO em março do ano passado,
que o objetivo inicial do projeto foi desenvolver a tecnologia de
propulsão nuclear e admitiu que os governos militares da época tinham
interesse bélico no programa. Othon recebeu em 1978 a incumbência de
iniciar os primeiros estudos para um submarino nuclear brasileiro.
O nome de Othon Luiz Pinheiro da Silva
já havia aparecido na Lava-Jato. O depoimento do empreiteiro Ricardo
Pessoa, da UTC, reforçou o teor da delação do ex-presidente da Camargo
Corrêa Dalton Avancini. Segundo Avancini, coube à UTC, com participação
de Pessoa, convocar uma reunião para acertar propina ao PMDB e a
dirigentes da Eletronuclear, entre eles Othon Luiz Pinheiro da Silva.
Nascido em Sumidouro, no interior do
Rio, Othon pediu licença do cargo de presidente da Eletronuclear em
abril, após notícias veiculadas na imprensa de que teriam sido feitas
negociações para pagamento de supostas propinas a Silva nas obras da
usina nuclear de Angra 3. Enquanto isso, a presidência interina está
sendo exercida por Pedro José Diniz de Figueiredo, que estava na
Diretoria de Operações da estatal.
Othon é engenheiro nuclear pelo
Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foi gerente do Programa de
Desenvolvimento das Ultracentrífugas Brasileiras para Enriquecimento de
Urânio e do Programa de Desenvolvimento da Propulsão Nuclear da Marinha
do Brasil.
O Globo
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