Vou aos estádios desde criança. Desde
muito cedo me acostumei aos bancos de concreto quente do antigo
Castelão, que depois passou a se chamar Machadão. Em três oportunidades,
devido a reformas no gigante de Lagoa Nova, ainda assisti campeonatos
no velho Juvenal Lamartine.
Minha paixão pelo ABC foi natural. Todos
na minha família são literalmente doentes pelo clube. Quando pequeno,
via minha avó se ajoelhar e rezar o terço enquanto acompanhava a partida
pelo rádio, do começo ao fim.
Meu pai, torcedor fervoroso, foi diretor
de futebol amador durante muitos anos e várias vezes campeão entre os
anos de 1983 e 1988. Como não se lembrar, todo final de tarde ver o
pôr-do-sol na concentração do ABC em Morro Branco, onde meu pai
abastecia a farmácia de Dr Heriberto Rocha e depois de Roberto Vital
durante anos e anos a fio. Tive um tio vice-presidente do ABC, Sebastião
Medeiros, que literalmente montou com Rui Barbosa e bancou o melhor
time do ABC que já vi jogar, o esquadrão de 1983 e depois o de 1984,
bicampeão do estado. Foram Rui e tio Sebastião, que inauguraram as
primeiras instalações do ABC na hoje Rota do Sol.
Desde que vou ao estádio, que me
recordo, passaram pela presidência do clube os grandes ABCedistas Severo
Alves Câmara, Edson Teixeira da Silva, Rui Barbosa, José de Paiva
Torres, Eudo Laranjeiras da Costa, José Wilson Gomes Neto, Leonardo
Arruda Câmara, Judas Tadeu Gurgel e Rubens Guilherme Dantas. Fiz parte
da diretoria de Rubens Guilherme como vice-presidente de eventos e
depois de marketing entre 2010 e 2012, diretoria esse que conquistou um
bicampeonato estadual, chegou à final da Copa do Nordeste e obteve o
maior título da história do futebol potiguar, o Brasileiro da série C de
2010.
Todos esses esses homens citados, foram
grandes presidentes, todos sem exceção, tiraram dinheiro do bolso, e não
foi pouco, para manter o ABC de pé, e olhe que tivemos tempos muito
difíceis, e aqui merece um capítulo especial o ex-presidente Judas
Tadeu.
Judas foi presidente do ABC por mais de
uma década, carregou o ABC em muitos casos sozinho, deixou como herança o
complexo Maria Lamas Farache onde se encontra hoje o estádio
Frasqueirão, Tadeu cometeu dois pecados graves à frente do ABC: amar
demais o clube, ter uma devoção quase doentia e não saber a hora de
deixar o comando do clube.
Mesmo sendo alertado por amigos, pessoas
próximas e familiares, Judas foi esticando a permanência no clube sem a
menor necessidade, e as crises políticas foram ocorrendo e ficando
incontroláveis, ao ponto de Judas deixar a presidência no final de 2009
com o clube endividado e rebaixado.
Tive várias diferenças com Judas nesta
época, pois ficava extremamente contrariado como torcedor ao ver a
teimosia de Tadeu. Chegamos a discutir em duas ou três ocasiões e estava
na minha cadeira no Frasqueirão no último jogo dele no comando do
clube, pedindo a sua saída.
Por que fiz todo esse preâmbulo antes de chegar aqui?
Porque primeiro precisava mostrar que
quem está escrevendo é alguém que tem identificação com o clube e,
segundo, para mostrar que tive e tenho diferenças com o ex-presidente,
em muitos casos ele não sabia se comportar dentro do clube após deixar o
comando, causando um stress grande em mim quando eu era diretor.
Mas, voltando ao inicio do parágrafo, por que estou escrevendo tudo isso?
Está em andamento dentro do ABC,
partindo de gente da própria diretoria e de conselheiros ligados à atual
diretoria, uma orquestração contra Tadeu. Devido ao clima político e de
bastidores totalmente tumultuado, pessoas que não estão se dando conta
do que estão fazendo, estão colocando o ex-presidente na berlinda
deixando a entender que ele causou um prejuízo milionário ao clube pela
venda da esquina do terreno que entra para o estacionamento dos
conselheiros a um grupo de pessoas. Tem gente que diz que o prejuízo
chegou a ser de R$ 4 milhões de reais e chega a insinuar que ele fez
isso de forma consciente e deliberada.
Para piorar ainda mais a situação,
alegam que alguns compradores são conselheiros do América como se isso
fosse outro crime e aí onde vem a maior perversidade com o HOMEM JUDAS
TADEU, pode ter havido erro? De repente. O destino pode ter sido
diferente do que aprovado? Só a discussão interna no conselho pode
demonstrar ou provar. Mas, insinuar que ele causou prejuízo ao clube e
ainda vendeu a “americanos”, deixando a entender que ele, enquanto
pessoa física, ganhou com isso, é UMA GRANDE SACANAGEM COM ELE.
Esse prédio em questão virou mico, as
obras foram paralisadas e até hoje não retomadas. O prédio foi um
desastre comercial e toda vez que Judas, na sua incontinência verbal,
dava entrevistas ou o clube estremecia politicamente, essas insinuações e
indiretas progrediam dentro do clube, e as ameaças se concretizaram.
Com as graves denúncias feitas pelo
ex-diretor de futebol, Rodrigo Pastana, de que no clube havia uma
quadrilha, gente que ganhou comissão com venda ou contratação de
jogadores e com terrenos, e que ele mesmo tinha várias provas dos
desmandos, o clube se viu obrigado a soltar uma nota fria onde lamentou o
que o Pastana falou, e veio a confirmar que existia em processo dentro
do conselho pedido de esclarecimentos sobre a venda do terreno.
Judas Tadeu pode ter os maiores defeitos
do mundo, mas se tem uma coisa que digo sem temor ou receio é que ele
não é honesto não, ele é HONESTISSIMO, bancou muitas vezes o clube
sozinho, em sua sina para manter o clube, colocou até amigos próximos em
problemas financeiros. Quantos empréstimos em seu nome e de familiares
Judas não fez para pagar contas do ABC? Quantos atos de abnegação Judas
não praticou? E numa altura dessa da vida e cinco anos depois de deixar o
clube, quererem que ele passe um constrangimento desses é muita
pequenez, é muita sacanagem com Judas ou com qualquer um que estivesse
no lugar dele.
Quem está fazendo isso deve tomar
cuidado, porque devido a abertura de porteira, amanhã quem poderá passar
pela mesma situação são os mesmos.
A Judas, minha solidariedade e meu companheirismo NESSE MOMENTO.
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