— Se a frase do ex-presidente Lula é de
que o PT está no volume morto, acho que para a sociedade ele já baixou
do volume morto. O que precisamos fazer é ver para o futuro. E o futuro
passa por esse debate todo que estamos fazendo, que a gente possa
construir soluções que esteja em consonância com a sociedade. E não
fazer do congresso e do governo apenas uma pauta ideológica, corporativa
e partidária — afirmou o presidente, que foi aplaudido.
Cunha também disse que a impopularidade do PT “consegue ser maior que a impopularidade de Dilma Rousseff“.
— Talvez, o PT tenha até arrastado a impopularidade dela mais para baixo do que poderia ser.
O presidente da Câmara também afirmou
que seu rompimento político com o governo foi “reação a uma covardia” e
voltou a afirmar que seu posicionamento é pessoal.
— Eu não costumo reagir colocando a
cabeça debaixo do buraco. A história não reserva espaço para os
covardes. Eles não vão impedir o meu livre exercício da liderança
parlamentar. Fui vítima de uma violência com as digitais definidas. Não
podia me acovardar e não reagir — disse Cunha, em referência a sua
investigação na Operação Lava-Jato, por suspeita de envolvimento no
esquema de corrupção da Petrobras.
Questionado pelo presidente do grupo
Lide, João Dória, sobre a quem pertenciam essas digitais, respondeu: –
Basicamente, foi uma interferência do Poder Executivo, que todo mundo
sabe que não me engole.
Cunha acusou ainda o governo de
“estimular a criação de partidos artificiais para tumultuar”,
referindo-se à recriação do PL com a ajuda do ministro das Cidades,
Gilberto Kassab (PSD).
Na entrevista coletiva, dada após o
almoço, Cunha não respondeu os questionamentos sobre sua investigação na
Lava-Jato e disse que foi orientado pelo seu advogado a não comentar o
assunto.
Questionado sobre críticas de lideranças
petistas no seminário estadual do PT de Minas Gerais, que ocorreu neste
final de semana, Cunha rebate provocando dizendo que o partido poderia
adotar a tese do impeachment de Dilma.
— Os mesmos princípios que eles têm para
mim, eles devem ter para todos os os quadros deles que são por ventura
investigados ou suspeitos de qualquer coisa. Se eles pedem qualquer tipo
de coisa em relação a mim, deviam começar pedindo o afastamento de
ministros e talvez discutindo o da própria presidente. Talvez eles
possam aderir à tese do impeachment — ironizou.
Para ele, seu afastamento ser defendido
por dirigentes petistas é motivo de satisfação, já que considera a sigla
como adversária.
— O PT é meu adversário, todos já sabem.
Se ele tem pedido a minha destituição, só me dá alegria. Se o PT
defendesse minha permanência, talvez eu pudesse estar errado — disse
Cunha, que não considera a hipótese de se afastar da presidência da
Câmara durante as investigações da Lava-Jato.
O lobista Júlio Camargo disse em
depoimento que Cunha teria pedido US$ 5 milhões em propina em um
contrato de navios-sonda da Petrobras.
IMPEACHMENT
Cunha voltou a falar que um impeachment
de um presidente da República não é um processo simples, mas disse que
os que tiverem fundamento terão andamento na Casa.
— Os (pedidos de impeachment) que
sanearem serão analisados sob a ótica jurídica. Os que tiverem
fundamento terão acolhimento — disse o presidente da Câmara.
Ele também disse que sua posição sobre o
assunto “não mudou uma vírgula” desde que o tema foi colocado em debate
por grupos que promoveram manifestações e se reuniram diversas vezes
com o presidente da Câmara.
— Impeachment não pode ser tratado como
recurso eleitoral. Recurso eleitoral porque você não se satisfez com
aquele que foi eleito não é a melhor maneira. Não podemos transforma o
Brasil num republiqueta, que não é.
Cunha fez questão de detalhar o trâmite de um processo de impeachment no Congresso para os empresários convidados do Grupo Lide.
— O impeachment é uma decisão política.
Não é um processo simples. Tem que ter base legal para isso. Vou tratar
todos (os pedidos) de forma técnica.
Apesar de reconduzir o impeachment na
agenda do segundo semestre da Casa, Cunha disse que seu papel é de
“bombeiro” e não de “incendiário”.
— Não está no nosso horizonte fazer com
que nosso país incendeie. Nesses dias difíceis, pode faltar incendiário,
o que não pode faltar é bombeiro.
CRISE ECONÔMICA
Ainda em ataque ao governo, Cunha
criticou o ajuste fiscal que, para ele, leva à retração da economia.
Para ele, as crises política e econômica “vão perdurar por muito tempo”
ainda e que “não é com esse ajuste que (a crise) vai melhorar”.
— Quanto mais se ajusta, mais cai a arrecadação e de mais ajuste é preciso.
O presidente da Câmara chamou, ainda, de
medidas “pífias” do governo contra a crise e disse que o atual ambiente
no país contribui para a queda no grau de investimento.
— O pior desastre é o Brasil perder o grau de investimento. Nada é tão ruim que não possa piorar.
O peemedebista também considerou “nula” a
possibilidade de o país atingir a meta de superávit primário de 0,15%
do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Ele declarou que depois do recesso de
julho, colocará em pauta a reforma tributária. Os deputados, de acordo
com o presidente, vão apreciar um texto elaborado por uma comissão
especial que aglutinará várias propostas em tramitação na Câmara.
— Hoje, só tem três maneiras de fazer [a
reforma tributária]: a União paga a conta, São Paulo perde dinheiro ou o
contribuinte paga a conta. Temos de achar uma alternativa.
PROTESTO
Dez pessoas do movimento Juntos, formado
pela juventude do PSOL, estão reunidos em frente ao hotel onde o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), participa no começo da
tarde desta segunda-feira de um almoço com empresários.
Para Camila Souza, de 24 anos,
representante do movimento, é “inadmissível” que um político investigado
por corrupção continue presidindo a Câmara.
— As políticas defendidas por Cunha são
contra a juventude. A redução da maioridade, as falas dele contra a
mulher, contra o aborto e contra o movimento LGBT. Nós pedimos o
afastamento imediato dele porque é inadmissível que um político com as
acusações que ele enfrenta na Lava-Jato continue como presidente da
Câmara — afirmou.
O Juntos acompanha Cunha em todas as
suas agendas pelo país e estiveram nas manifestações contra o deputado
federal dentro da Câmara no debate sobre a redução da maioridade penal.
Após o almoço, o presidente da Câmara tem encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes.
O Globo
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