As câmeras de segurança do
Instituto Lula marcavam 22h18 quando um carro sedan escuro parou em
frente ao portão do da entidade, no Ipiranga, em São Paulo. De dentro do
veículo foi arremessado um artefato caseiro feito com material
inflamável e pregos que estourou, danificando o portão da garagem.
Segundo testemunhas, o barulho foi
ouvido de dentro do Hospital São Camilo, vizinho do instituto. “Estava
de plantão dentro da UTI e o hospital tremeu todo. Daí entrou uma pessoa
falando que jogaram uma bomba aqui. Era por volta das 22h20″, afirmou o
médico intensivista Adauto, que não quis falar seu sobrenome.
Apesar de o instituto ser vizinho de um
hospital e de um batalhão da Polícia Militar, nenhum funcionário foi
comunicado sobre o fato durante a noite. Os primeiros que chegaram para
trabalhar, por volta das 8h, é que tomaram conhecimento do acontecido e
chamaram polícia.
Para Celso Marcondes, diretor do
Instituto Lula, o que aconteceu foi um “ataque político”. “Sabemos que
foi uma provocação. A democracia não comporta este tipo de manifestação.
Ontem [quinta] mesmo tivemos uma manifestação de dez pessoas aqui na
frente protestando contra o Lula e foi tudo bem, era pacífica. Mas uma
bomba caseira nos surpreendeu completamente”, afirmou.
Na manhã desta sexta (31), mais uma vez
um pequeno grupo se concentrou em frente ao instituto com faixas de
protesto. A polícia, que já estava no local para fazer a perícia,
identificou todos os presentes. O grupo teve uma discussão com
militantes petistas e foi embora logo depois.
O presidente Lula tinha agenda marcada
para as 10h desta sexta (31) no instituto, onde costuma fazer seus
despachos, mas o compromisso foi cancelado. A segurança dele é feita
pelo Estado, como acontece com os demais ex-presidentes da República.
Segundo Marcondes, os diretores da entidade irão discutir sobre a necessidade de novas medidas de segurança para o local.
O perito policial Ivan Ribeiro, que
analisou o local e o artefato utilizando no ataque afirmou que o
material foi recolhido e levado para o instituto de criminalística. As
imagens que foram gravadas pelas câmeras de segurança do instituto estão
com os investigadores e devem se tornar públicas em breve.
Folha Press
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