— Vai além de se sentir grogue ou
irritado — disse Aric Prather, professor de Psiquiatria na Universidade
da Califórnia em San Francisco (UCSF) e líder do estudo. — Não dormir o
suficiente afeta a saúde física.
Também participaram da pesquisa
profissionais do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh. A equipe
monitorou o padrão de sono de 164 voluntários com sensores que medem a
duração e a qualidade do sono. Os participantes também responderam a
entrevistas e questionários para a avaliação de outras variáveis, como
estresse, temperamento e uso de álcool e tabaco.
Para medir a propensão ao resfriado, os
participantes foram isolados em um hotel e tiveram o vírus administrado
por via nasal. Eles foram monitorados por uma semana, com coleta diária
de amostras de muco para avaliar a progressão da doença. Os resultados
mostraram que os indivíduos que dormiam menos de seis horas por noite
tinham 4,2 vezes mais chances de pegar o resfriado, em comparação com os
que dormem mais de sete horas. Para quem dorme menos de cinco horas, a
relação foi de 4,5 vezes.
— O sono vai além de outros fatores que
medimos — disse Prather. — Não importa a idade, os níveis de estresse, a
raça, educação ou renda. Não importa se é fumante ou não. Com todas
essas variáveis sendo consideradas, estatisticamente o sono se mostrou
um forte indicador para a suscetibilidade ao vírus do resfriado.
EPIDEMIA DE DISTÚRBIOS DO SONO
Os pesquisadores apenas apontaram a
correlação entre distúrbios do sono e o resfriado, mas Luciana
Palombini, especialista da Associação Brasileira do Sono, explica que
deve se tratar de uma reação do organismo ao estresse. Um outro estudo
já havia demonstrado que a baixa quantidade ou qualidade do sono
prejudica a eficácia da vacina contra a gripe por causa da liberação de
hormônios que prejudicam o sistema imunológico.
E esse problema tende a afetar cada vez
mais pessoas. O aumento das possibilidades de distração, seja por
trabalho ou entretenimento, está criando um fenômeno de redução de horas
de sono que já é considerado como uma epidemia.
— Existe uma epidemia, sim, de restrição
do sono — afirmou Luciana. — As pessoas, voluntariamente, estão
dormindo menos do que precisam. As consequências de curto prazo são
sonolência, dificuldade de concentração, irritabilidade, que acontecem
no dia seguinte, mas no longo prazo os distúrbios também estão
relacionados com riscos maiores de doenças cardiovasculares e diabete.
O Globo
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