Um dos principais delatores da Operação Lava Jato reforçou nesta segunda-feira (13) a denúncia de que o senador Renan Calheiros se beneficiou do esquema de corrupção da Petrobras e disse que Renan tinha deputado como representante para receber a propina.
O senador Renan Calheiros e o deputado Aníbal Gomes foram citados no depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça. De acordo com o que disse Paulo Roberto, os dois políticos teriam recebido uma parte da propina de fraudes na Petrobras.
Advogado: Quem lhe dava sustentação política no PMDB? Não ouvi o senhor mencionar.
Paulo Roberto Costa: Porque já constou de outros depoimentos. É, senador Renan Calheiros era um dos que davam sustentação política.
Advogado: O senhor negociava também valores, propina, comissionamentos?
Paulo Roberto Costa: Não, com ele não. Mas ele tinha um representante lá, um deputado, Aníbal Gomes, que algumas vezes negociou comigo isso.
Renan e Aníbal já são investigados em outro processo pela Procuradoria-Geral da República em Brasília, porque têm foro privilegiado.
Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef foram interrogados no processo que investiga fraudes nas obras das refinarias Getúlio Vargas, no Paraná, e de Paulínia, em São Paulo.
O advogado de uma das empreiteiras investigadas pela Lava Jato afirmou que vai pedir a anulação da delação premiada de Paulo Roberto Costa. Segundo o advogado, Paulo Roberto mentiu à Justiça quando questionado sobre valores de propina que teria recebido enquanto foi diretor de Abastecimento da Petrobras. “Disse hoje aqui que recebeu de 6 a 8 milhões de Alberto Youssef e Youssef disse que entregou 50 milhões a ele no Brasil”, disse Roberto Telhada, advogado da OAS.
Quando questionado por advogados sobre o dinheiro que repassou a Paulo Roberto, o doleiro respondeu: “Em torno de 50, 60 milhões para o senhor Paulo Roberto Costa”.
Paulo Roberto revelou números diferentes, mas disse estar se referindo a transações feitas não com Youssef, mas com Fernando Baiano, outro acusado no esquema.
Paulo Roberto Costa também disse ao juiz Sérgio Moro que, na Petrobras, era voz corrente que a indicação de Renato Duque - outro ex-diretor investigado e preso - teria partido do ex-ministro José Dirceu.
Paulo Roberto Costa: As indicações tinham que ter apoio político. A indicação que se falava dentro da companhia, a indicação de Renato Duque foi pelo PT.
Sérgio Moro : Algum polí tico em particular ou o partido?
Paulo Roberto Costa: Dentro da Petrobras, quando ele foi indicado, corria pelos corredores lá que ele tinha sido indicado na época pelo ministro José Dirceu.
Renan Calheiros reafirmou que suas relações com as empresas públicas nunca ultrapassaram os limites institucionais e que jamais autorizou o deputado Aníbal Gomes a falar em nome dele. O senador Renan aponta o que considera uma contradição, já que nos depoimentos anteriores o delator sempre negou ter tratado de projetos e valores com ele.
O deputado Aníbal Gomes negou as acusações e disse que não houve entrega ou promessa de recursos para ninguém.
O advogado de José Dirceu disse que o ex-ministro não indicou Renato Duque para diretoria da Petrobras.
A defesa de Alberto Youssef reafirmou que ele mantém todas as declarações.
Não conseguimos contato com os advogados de Paulo Roberto Costa e Fernando Baiano.
Bom Dia Brasil
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