segunda-feira, 20 de julho de 2015

Eurogrupo libera empréstimo de 7 bilhões de euros para a Grécia Governo da Grécia conseguiu aprovar medidas de austeridade com ajuda da oposição no parlamento grego.


Agora que o parlamento da Grécia aprovou as medidas de austeridade o governo tenta obter um empréstimo de emergência para poder reabrir os bancos. Nesta quinta-feira (16), os 19 ministros das Finanças do Eurogrupo se reúnem para discutir o empréstimo de sete bilhões de euros de que a Grécia precisa para pagar dívidas vencidas. O empréstimo foi liberado, abrindo caminho para um novo acordo de ajuda que vai estender a dívida.
Outra questão inadiável é a reabertura dos bancos. Na quarta, no parlamento, o governo conseguiu aprovar o pacote com a ajuda da oposição. Veja na reportagem de Ilze Scamparini.
Em uma noite dramática para a Grécia, com pancadarias e bombas na Praça Sintagma, o parlamento grego aprovou por 229 votos a favor, 64 contra e seis abstenções a primeira parte do plano de ajuda, o terceiro, que evitará a saída do pais do Euro, pelo menos por enquanto.
O primeiro ministro Alexis Tsipras terá que enfrentar a perda de 40 deputados do seu partido, o Siriza. Entre os que votaram contra, o ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis e a presidente do parlamento. Os votos determinantes para a aprovação do plano saíram da oposição, de partidos como Nova Democracia e Pasok.

Passava da meia noite quando o primeiro ministro chegou ao parlamento e fez dois discursos emocionados. “Quem pensa que eu fui vítima de chantagem, como escreveram tantos jornais no mundo, digo que nas 17 horas da reunião em Bruxelas eu tinha três alternativas: o acordo, o fracasso, com todas as suas consequências e o plano de Schoible, para uma moeda paralela. Entre essas três, fiz a escolha da responsabilidade”, disse o primeiro-ministro da Grécia.
Tsipras perdeu a sua maioria política, mas com uma reforma ministerial poderá reconquista-la. Ameaçou pedir demissão se o partido não votasse unido.
Nesta quinta cedo o Eurogrupo já começou a trabalhar para conseguir o empréstimo de emergência de sete bilhões de euros, para que a Grécia possa pagar no dia 20 de julho, uma parcela de 4,2 bilhões ao Banco Central Europeu e possa finalmente dar o dinheiro atrasado ao FMI, quase dois bilhões.

O que se prevê agora é um confronto entre a primeira ministra alemã Angela Merkel e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. O FMI já avisou que não vai ajudar a financiar o plano se uma parte da dívida grega não for cortada, e isso é tudo o que a líder alemã não quer que aconteça.
Nas ruas, o clima é de esperança. Um vendedor diz que o governo precisa ser forte para implementar todas as medidas. Um engenheiro diz que eleições agora estão fora de questão e que a aprovação do pacote era a única opção sensata para o país.
Em Lisboa, o correspondente André Luiz Azevedo conta como foi a repercussão no resto da Europa. Nos jornais de Portugal a crise grega domina a primeira página. Isso acontece também na vizinha Espanha. A imprensa, os políticos e a população em geral acompanham com muito interesse, com lente de aumento, o que acontece na Grécia, porque este ano tem eleições gerais em Portugal e na Espanha, e a situação grega já é o tema principal das campanhas.
Os partidos de oposição à esquerda torciam para que a rebelião do Siriza contra os credores desse certo, o que seria uma demonstração que há outra forma de lidar a crise. Já os partidos que estão no poder e que disputam a reeleição - e seguiram o roteiro de arrocho e austeridade - não escondem uma certa alegria com o que está acontecendo, que provaria que não há mesmo como enfrentar os credores sem se submeter.
Além da questão política há o lado econômico. Quem vai pagar a conta? A Inglaterra, que pertence à Europa, mas está fora da Zona do Euro, já disse que não vai dar uma libra sequer. A conta para salvar a Grécia tem que ser dividida mesmo entre os países da Zona do Euro.
Os bancos gregos - esse é o problema mais imediato - vão reabrir gradualmente, não vai ser tudo ao mesmo tempo para evitar uma corrida que seria fatal nesse momento.
Para entender melhor, veja as medidas que foram aprovadas no parlamento em Atenas: aumento de impostos, fim das isenções e reforma da previdência.
A idade mínima para aposentadoria passa de 62 para 67 anos. O imposto sobre o macarrão, o pão e o leite sobe de 13% para 23%. No caso dos hotéis, de 6,5% para 13%. Barcos, aviões privados, carros de luxo e piscinas também passam a pagar mais.
Foi aprovado um programa de privatização das empresas estatais e a garantia de independência da Agência Nacional de Estatísticas, o IBGE deles, acusado de manipular dados.


 

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