segunda-feira, 20 de julho de 2015

Miriam Leitão sobre limite maior do consignado: 'Pode ser bola de neve' Comentarista alerta para risco de endividamento com novo limite de 35%. 'Famílias têm 46% da sua renda anual comprometida com dívidas', revela.

É estranho. O Banco Central restringe o crédito para combater a inflação. E o aumento do limite do crédito consignado estimula o endividamento e o consumo. Parece estar na contramão.
 O Banco Central está subindo juros para desestimular o endividamento. E mais: em maio o governo vetou uma proposta que o Congresso tinha aprovado para aumentar o limite do consignado para 40%. E agora, o governo aumenta para 35%.

E o pior é o seguinte: poderia ser uma boa ideia se fosse só para pagar a conta já pendente no cartão de crédito. Mas não é, não. É o seguinte: qualquer dívida nova que você faça no cartão de crédito, na hora de pagar pode ser com o consignado. Quer dizer, pode ser uma bola de neve.

E mais do que isso: se olharmos os dados dos últimos anos, aumentou muito o grau de endividamento das famílias. Em 2005, as famílias tinham 18% da sua renda anual comprometido com dívidas. Agora é 46%.

Neste momento, 22% do orçamento das famílias já é gasto com pagamento de dívida. Então está ficando muito perigoso. O endividamento está aumentando.

Os juros do cartão chegam a 360%. Estimular novas dívidas no cartão?

Revisão da meta de economia
E por falar em endividamento, está difícil para o governo endividado cumprir a meta de economia. Então, é até normal que o governo reveja essa meta para baixo.

Mas as ideias que estão surgindo são muito ruins. Por exemplo, a ideia de “meta flexível”, que saiu do Ministério do Planejamento: pode ser um número, pode ser outro. Como assim?
Esse é um sinal péssimo para todos os investidores que estão analisando as contas brasileiras.

Aumentou muito o endividamento brasileiro desde o começo do governo Dilma: subiu de 52% do PIB para 62% do PIB – a dívida bruta. E o país não está conseguindo ter superávit. E o déficit nominal chegou a 8% do PIB. Essa não é uma hora de brincar de fazer uma meta flexível na área fiscal.

Então, que o governo estabeleça o que exatamente ele vai perseguir – e perseguir essa meta e cumprir.




 

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