O prefeito Eduardo Paes (PMDB) e o secretário de Segurança do Estado,
José Mariano Beltrame, divergiram na terça-feira, 22, quanto a conduta
diante dos arrastões na zona sul do Rio. Enquanto Paes rechaçou
qualquer associação entre a condição social dos adolescentes e a prática
de crimes, e disse que não iria "colocar as doces senhoras da
assistência social para conversar com um sujeito com pau na mão",
Beltrame declarou que assistentes sociais vão, sim, auxiliar a polícia
no controle da ida dos jovens às praias.
Por causa dos
roubos, foi antecipada em uma semana a Operação Verão, que começará
neste sábado, 26. "Nós não vamos tratar delinquentes e marginais, que
vão para as ruas fazer baderna, como problema social. É um problema de
segurança pública", defendeu Paes, em entrevista convocada para tratar
exclusivamente do assunto. Ele disse que "não há jogo de troca de culpa"
com Beltrame. "Não nos cabe fazer Antropologia e Sociologia. Não vamos
justificar (os assaltos) com os problemas sociais do Brasil. Você não vê
isso acontecer na Avenida Paulista nem nas praias de Pernambuco ou de
Alagoas. Isso é falta de autoridade. A autoridade não está se fazendo
presente. O Rio não pode perder-se em um debate esquizofrênico."
Na
segunda-feira, 21, depois de roubos em série na zona sul, Beltrame
disse ser fundamental "trazer os órgãos de fiscalização municipal para
que façam a sua função, a qual a polícia foi tolhida de fazer, que é a
percepção de jovens em situação de vulnerabilidade", referindo-se à
decisão judicial que impede a PM de deter pessoas sem flagrante. O
prefeito evitou criticar Beltrame e pôs a Guarda Municipal à disposição
da Polícia Militar para ajudar no controle das praias. "Não coloquei um
capitão da PM no comando da Guarda à toa: é para ele obedecer a um
coronel. O clima de terror que se espalha não é privilégio dos moradores
da zona sul. Atrapalha todos os cariocas que frequentam as praias da
cidade", disse Paes.
Ele acrescentou não temer prejuízo
para os Jogos Olímpicos, daqui a 11 meses, por causa da repercussão
internacional dos arrastões. "O que prejudica Olimpíada é estádio de
natação não estar pronto."
Para Paes, a prática de crimes
não tem relação com pobreza. "Isso é uma postura desrespeitosa com as
pessoas mais pobres. Não é possível ter um jovem trepado no teto do
ônibus e dizer que isso é vulnerabilidade social. Lá em casa, não é",
ressaltou o prefeito.
No fim da tarde, depois de se reunir
com os secretários municipais de Desenvolvimento Social, Adilson Pires
(vice-prefeito do Rio, pelo PT), e de Ordem Pública, Leandro Matieli
Gonçalves, Beltrame voltou a dizer que as ações da PM nas praias
contarão com agentes sociais, para que sejam detectados adolescentes sem
dinheiro, sem responsáveis e sob aparente efeito de drogas. "A
prefeitura e nós vamos antecipar a operação e vamos fazer o trabalho
parando carros, parando ônibus, dessa vez com outros órgãos que se façam
necessários." Os secretários municipais haviam acabado de sair da
entrevista em que Paes repetiu diversas vezes que não designaria
assistentes sociais para auxiliar a polícia.
Justiceiros
Beltrame
reiterou também que a polícia agirá contra a ação de justiceiros,
jovens da zona sul que estão se organizando no Facebook e pelo WhatsApp
para agredir suspeitos. Ele negou que a polícia tenha feito vista grossa
para a ação desses grupos no domingo, em Copacabana. A Secretaria de
Segurança já teria elaborado, por meio de serviços de inteligência da PM
e da Polícia Civil, um documento de 90 páginas que detalha a ação tanto
de justiceiros quanto dos envolvidos nos arrastões. A Delegacia de
Repressão a Crimes de Internet e a 12ª Delegacia, em Copacabana,
investigam a ação desses grupos. Mas ninguém foi ouvido até agora.
Governador
No
começo da tarde, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) deu
declarações convergentes com as do prefeito e opostas às de Beltrame.
"Vínhamos fazendo o policiamento com sucesso. Vamos continuar da mesma
maneira. Se tiver ônibus com adolescentes que não pagaram passagem,
estão descalços, de bermuda, sem documento, (a polícia) leva para a
delegacia e os pais vêm buscar. Da última vez, prendemos 112 e vieram 5
pais buscar."
Pezão disse que conversou com o presidente
do Tribunal de Justiça, Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, e anunciou
que a política de apreensão de adolescentes será mantida. "Se o Tribunal
de Justiça, o Ministério Público e a Secretaria de Assistência Social
forem para a delegacia ver se os menores são de risco, eles determinam.
Mas a polícia não vai parar de fazer seu trabalho. Passamos nove fins de
semana com sol a pino sem ter um problema de arrastão nas praias,
enquanto a PM agiu como foi combinado."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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