“Giovani (Decker, presidente do UFC no
Brasil), por meio de muitas ligações, me deu essa vontade de continuar
no UFC. Conversamos muito e passei a entender melhor as coisas. O Dana
White também mostrou essa vontade durante uma conversa após a minha
última luta. Agradeço demais o apoio dessas pessoas que são donas do
maior evento do nosso esporte”, afirmou Minotauro, em entrevista
coletiva.
Minotauro explicou que as limitações físicas foram fundamentais para a decisão de se aposentar do MMA.
“Entre 1999 e 2008, fui sempre primeiro,
segundo ou terceiro do ranking. Em 2008, senti o corpo começar a
reclamar. Em 2009, identificamos que era um problema de quadril. Faço
fisioterapia até hoje. E ainda tive outras inúmeras lesões. O corpo
reclama. Não consegui mais ter o desempenho físico de antes. São dores
que tenho até hoje. Isso acaba pesando. Seguirei correndo, pedalando,
mas para o campo de luta e treinamento não dava mais. Desde 2011, o Dana
falava para eu parar. Eu ainda tentei, mas não dava. E entendi que o
UFC estava falando para o meu bem, por carinho mesmo. Então resolvi
parar”.
A lenda do MMA trabalhará como uma
espécie de ligação da organização entre atletas, patrocinadores, mídia e
órgãos governamentais.
“Eu creio que tenho uma grande visão
para esses talentos. Trouxe inúmeros talentos e creio que farei ainda
mais. Foi assim com o Junior Cigano, com o Erick Silva. Virão muito mais
lutadores por aí. Na minha academia, já conseguia isso. Agora, com a
estrutura do UFC, a coisa cresce. Estou feliz, pela minha história e
pelo novo desafio. Quero fazer um grande trabalho. Estamos numa troca de
gerações e espero ajudar nesse momento fundamental para o esporte”,
explicou Minotauro, que também é dono da academia “Team Nogueira”, ao
lado do irmão Rodrigo Minotouro.
Presidente do UFC, Dana White se mostrou
empolgado para a nova fase de Minotauro dentro da organização.
“Minotauro é uma lenda no MMA. Ele é respeitado por lutadores e fãs por
todo o mundo. Tem sido uma honra assisti-lo competir e estou feliz pela
sua aposentadoria. Ele será um trunfo enorme para o UFC, atletas e para o
esporte como embaixador. Mal posso esperar para trabalhar com ele nesse
novo capítulo de sua vida”.
Protagonista de combates memoráveis
contra nomes como Randy Couture, Bob Sapp e Fedor Emelianenko, Minotauro
fecha sua carreira com 34 vitórias, dez derrotas, um empate e um no
contest (luta sem resultado). Sua última vitória havia sido em 2012,
contra Dave Herman, e em seguida ele sofreu derrotas para Fabrício
Werdum, Roy Nelson e Stefan Struve. A pedidos até do UFC, descartou
fazer mais um combate, como planejava.
A carreira de Minota
Rodrigo Nogueira – e seu irmão Rogério, o
Minotouro – construíram carreiras marcantes desde os tempos de
vale-tudo. Os gêmeos são de Vitória da Conquista, e o mais pesado deles,
Minotauro, teve um evento na infância que definiu seu futuro. Ele foi
atropelado por um caminhão em um acidente gravíssimo que o deixou por
quatro dias em coma e quase um ano no hospital – uma marca nas suas
costas permanece até hoje lembrando do ocorrido.
Mais tarde, a dupla desbravou o mundo da
luta. A carreira de Minotauro começou em 1999, já nos Estados Unidos.
As primeiras conquistas vieram no Rings: King of Kings – assim como a
primeira derrota, para Dan Henderson.
Ele virou um ídolo, de fato, por suas
performances no Pride. Reverenciado pelos japoneses, enfileirou
finalizações e bateu rivais que pareciam impossíveis de ser batidos,
como o gigante Bob Sapp.
Em 2001, venceu Heath Herring para se
tornar campeão do Pride no peso pesado. Em 2003, perdeu o título para o
poderoso Fedor Emelianenko. Foram três combates no russo, durante a
carreira, com duas vitórias e um no contest, na segunda luta, por conta
de uma cabeçada involuntária. Ainda no Pride, venceu Fabrício Werdum,
Mirko Cro Cop e Josh Barnett.
A ida ao UFC aconteceu em 2007. Na
estreia, venceu o velho conhecido Heath Herring. Na luta seguinte,
tornou-se campeão interino dos pesados, com um triunfo por finalização
sobre Tim Sylvia. Na luta seguinte, perdeu para Frank Mir, no primeiro
nocaute que tomou em sua carreira. Mas se recuperou com um épico contra
Randy Couture, vencido por pontos.
A partir daí, uma gangorra de resultados
começou. O ponto alto do fim da carreira foi a presença no UFC Rio 1,
em 2011. Vindo de cirurgias nos quadris e joelho, que o deixaram
literalmente sem andar, ele levantou a torcida e nocauteou Brendan
Schaub ainda no primeiro round. Mas foi pouco para manter seu nome em
alta. Na luta seguinte, perdeu para Frank Mir – teve o braço fraturado
na finalização – e Dana White e o UFC passaram a tratar o baiano como um
lutador que já poderia pendurar as luvas. Foi preciso que ele sofresse
mais três derrotas, sendo a última por pontos, contra Stefan Struve, no
Rio, para Minotauro enfim se despedir.
Minotauro tem um legado nas lutas que,
com sua nova função no UFC, segue em construção. O baiano não investiu
só nas lutas, mas, como empresário, fundou com o irmão sua academia, a
Team Nogueira, que virou franquia internacional. Ele também realiza
eventos de MMA, lidera com Minotouro um time com cerca de 60
profissionais e dirige um projeto social no Rio.
UOL
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