Em encontro com a presidente Dilma
Rousseff no Palácio da Alvorada neste domingo, o chanceler francês
Laurent Fabius ofereceu ao Brasil abrir os serviços inteligência e
trocar informações sobre segurança para reduzir os riscos de terrorismo
durante as Olimpíadas do Rio no ano que vem. O francês veio ao Brasil
depois de passar pela Índia e África do Sul para tratar da COP 21,
conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas que acontecerá em Paris a
partir do próximo dia 30.
— A França está à disposição para
transmitir os resultados sobre a questão de segurança e para abrir
nossos serviços de inteligência para trocar informações para reduzir os
riscos ao máximo e que possamos informar uns aos outros sobre os
terroristas — disse Fabius em entrevista coletiva após a reunião com
Dilma.
O ministro das Relações Exteriores,
Mauro Vieira, disse que essa ajuda será importante porque a França tem
larga experiência em sediar grandes eventos. Já recebeu a Copa do Mundo e
as Olimpíadas de Inverno.
Sobre a COP 21, evento que reunirá 140
chefes de Estado em busca de um acordo global para limitar as emissões
dos gases de efeito estufa, Fabius disse que o governo francês garantirá
a segurança de todos em Paris. Ele disse que o Brasil é um ator
histórico nas negociações climáticas e que as metas de redução de
emissões apresentadas pelo Brasil em Nova York em setembro são
exemplares e ambiciosas.
No encontro que durou cerca de uma hora,
Dilma manifestou sua solidariedade pelos eventos trágicos em Paris, no
último dia 13, quando terroristas bombardearam vários pontos da cidade e
mataram 130 pessoas. E Fabius se solidarizou pelo rompimento da
barragem em Mariana, considerado pelo governo brasileiro como o maior
desastre ambiental do país.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella
Teixeira, que também participou da conversa, disse que o caso Mariana
foi tratado rapidamente e que Dilma está determinada a devolver à
população a Bacia do Rio Doce recuperada. Em entrevista exclusiva ao
Globo, publicada na última sexta-feira, ela disse que a recuperação pode
levar 30 anos.
Ainda sobre a COP 21, Fabius disse que
dentro da conferência, que ocorrerá no subúrbio de Paris, é possível
controlar 100% o ambiente e assegurar a proteção de todos os
participantes. Mas, do lado de fora, em Paris, não é possível dar essa
certeza. Mas lembrou que o governo francês está controlando as
fronteiras e proibiu a realização de manifestações, comuns durante essas
conferências.
— Tudo o que é passível de segurança,
dentro das salas e dentro dos sítios,está assegurado em 100% porque nos
tenhamos como controlar. Agora, a parte externa não temos como garantir
integralmente a segurança.
Perguntado se o governo britânico
aumentará sua participação nas forças de combate ao terrorismo, Fabius
disse que isso tem que ser autorizado pelo Parlamento daquele país, mas
que os ingleses sempre foram solidários nessa luta.
O Globo
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