Mossoró (RN) – O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), negou nesta quarta-feira (28) qualquer envolvimento em suposto esquema de pagamento de propina investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no âmbito da Operação Mederi, que apura desvios de recursos públicos na área da saúde no Rio Grande do Norte.
Em entrevista à Rádio 96 FM, o gestor foi enfático ao rejeitar as acusações e afirmou nunca ter solicitado ou recebido qualquer tipo de vantagem indevida de empresários ou terceiros ligados a contratos da Prefeitura de Mossoró.
“Eu nunca recebi, nem pedi qualquer tipo de vantagem, qualquer tipo de valor. Nunca tive diálogo com essas pessoas envolvendo recursos, contratos ou benefício pessoal dentro da Prefeitura de Mossoró. Nunca solicitei para que ninguém ligado a mim tivesse esse tipo de contato ou conversa”, declarou.
Allyson afirmou ainda que confia na Justiça e disse que as investigações comprovarão sua inocência. Segundo ele, toda a documentação solicitada foi entregue à Polícia Federal dentro do prazo — inclusive antes do limite estabelecido.
“Às 9h40 da manhã, apresentamos toda a documentação solicitada no dia de ontem, antes mesmo do prazo concedido. A Justiça comprovará no tempo certo que não tenho relação com nenhum ilícito”, acrescentou.
Contexto da investigação
A manifestação do prefeito ocorre após a divulgação de trechos de interceptações ambientais realizadas pela Polícia Federal, nas quais sócios de uma distribuidora de medicamentos discutem a suposta divisão de valores referentes a contratos públicos. Em uma das conversas, empresários da Dismed mencionam que Allyson Bezerra teria direito a um repasse de R$ 60 mil, o equivalente a 15% de um contrato de R$ 400 mil, esquema que os próprios interlocutores chamaram de “Matemática de Mossoró”.
A Polícia Federal sustenta que os diálogos indicam a existência de um esquema estruturado de corrupção, tese que é contestada pelo prefeito.
Defesa e transparência
Em sua defesa, Allyson destacou que a Prefeitura de Mossoró utiliza, desde 2023, o Sistema Hórus, ferramenta do Governo Federal destinada ao controle e rastreamento do estoque de medicamentos na rede pública, sob gestão da Controladoria-Geral do Município. Segundo ele, o sistema garante transparência nas compras públicas e no uso dos recursos da saúde.
“A matemática de Mossoró, na minha gestão, é essa: transparência”, afirmou.
As investigações da Operação Mederi seguem em andamento. A Polícia Federal e a CGU apuram possíveis crimes como fraude em licitações, sobrepreço, não entrega de medicamentos e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Até o momento, não há decisão judicial de mérito sobre as acusações.
Fonte: Agora RN
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