sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Presidente do PT no RN registra ocorrência contra radialista por ataques homofóbicos à governadora Fátima Bezerra

 

A presidente do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte, Samanda Alves, registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil contra o radialista Zé Neto, conhecido como Dedé, da Rádio Parnamirim FM, por declarações consideradas discriminatórias, homofóbicas e ofensivas dirigidas à governadora Fátima Bezerra (PT).

O episódio ocorreu na quarta-feira (28), durante o programa “A Voz do Povo”, quando o comunicador questionou publicamente a sexualidade da governadora em tom pejorativo. Entre as falas, Zé Neto afirmou: “E Fátima, por acaso, é uma mulher? É uma mulher? Como é que é? Ela não assume o que é. Eu não entendo. Eu não sei nem qual é o sexo de Fátima Bezerra”.

No registro feito nesta sexta-feira (30), Samanda Alves sustenta que a conduta do radialista extrapola a crítica política e viola direitos fundamentais, ao reforçar práticas discriminatórias e estimular o discurso de ódio. Segundo ela, o ataque não atinge apenas a honra pessoal da governadora, mas fere a coletividade e afronta a legislação brasileira.

A dirigente petista também ressaltou a gravidade adicional do caso por ter ocorrido em um veículo de comunicação que opera por concessão pública, o que, segundo ela, impõe dever de responsabilidade social e observância aos princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e o repúdio a qualquer forma de discriminação. Samanda destacou ainda que a manutenção do conteúdo em ambiente digital amplia o alcance do ataque e perpetua o dano coletivo.

Contexto da declaração

O comentário do radialista foi feito ao abordar uma entrevista concedida por Fátima Bezerra à FM Universitária, na qual a governadora afirmou que “parte da elite não suporta” ver uma mulher com seu perfil à frente do Governo do Estado. Zé Neto classificou a fala como “vitimismo” e, na sequência, fez os ataques.

A governadora não costuma tratar publicamente de sua sexualidade. Em julho de 2021, ao manifestar solidariedade ao então governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, após ele se assumir gay, Fátima escreveu nas redes sociais: “Na minha vida pública ou privada nunca existiram armários”.

“Ódio não é opinião”

Ao comentar o caso, Samanda Alves foi enfática ao afirmar que liberdade de expressão não autoriza LGBTfobia.

“Ódio não é opinião. Esse tipo de ataque não é aceitável e precisa ser responsabilizado. Nenhuma forma de intolerância será naturalizada”, declarou.

Ela concluiu incentivando a denúncia de manifestações discriminatórias e afirmou que o Diretório Estadual do PT acompanhará casos semelhantes.

“Essas práticas não passarão impunes”, finalizou.


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