sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Após operação da PF, Allyson diz ser alvo do “sistema” e promete enfrentar “os que se acham donos do poder”

 

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), afirmou nesta quinta-feira (29) que a Operação Mederi seria uma reação do que classificou como “sistema”, que, segundo ele, nunca teria aceitado sua ascensão política, sua origem social e a projeção que conquistou no Rio Grande do Norte. A declaração foi feita após o prefeito ter sido alvo de mandado de busca e apreensão, na última terça-feira (27), no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre suspeitas de desvio de recursos na área da saúde.

Em entrevista ao Jornal do Dia, da TV Ponta Negra, Allyson afirmou que o avanço da investigação está diretamente ligado ao momento político que vive. “O sistema é bruto. O sistema nunca aceitou que eu, vindo de uma família simples e humilde, chegasse a ser prefeito de Mossoró, retirando do poder um grupo que estava lá há mais de 70 anos”, declarou.

Segundo o prefeito, a resistência teria se intensificado à medida que sua gestão ganhou visibilidade. “O sistema nunca aceitou que eu fizesse uma gestão reconhecida pela cidade, a ponto de ser o prefeito mais votado da história de Mossoró”, afirmou. Allyson também associou a operação ao seu desempenho em levantamentos eleitorais. “Nosso nome aparece em primeiro lugar nas pesquisas para o Governo do Estado, mesmo sem eu nunca ter dito que seria candidato. Isso o sistema nunca aceitou”, disse.

Durante a entrevista, o prefeito sustentou reiteradamente que nada foi encontrado que comprometesse sua conduta pessoal ou administrativa. “Nada foi encontrado que desabone a minha vida, a minha história”, afirmou, acrescentando que colaborou espontaneamente com as autoridades. “Quem não deve, não teme. Eu não devo, não temo.”

Allyson disse ainda que antecipou a entrega de documentos e equipamentos solicitados. “Fiz questão de entregar toda a documentação à Polícia Federal antes mesmo do prazo”, declarou, citando que o material foi apresentado no dia seguinte à operação, antes do limite estabelecido.

Em tom mais incisivo, o prefeito classificou a ação como tentativa de intimidação política. “Estou ainda mais forte e convicto de que quero ser aquele que enfrenta o sistema, aqueles que se acham donos do poder”, afirmou. “Se pensam que eu ficaria calado, acuado ou com medo, não me conhecem.”

Críticas à cobertura da imprensa

Allyson também criticou a cobertura da imprensa nacional, alegando distorção dos fatos e exposição excessiva de sua imagem. “Pararam tudo para bater em mim”, disse. Segundo ele, informações relevantes teriam sido omitidas. “Não disseram que a operação ocorreu em cinco cidades, nem que na minha casa nada foi encontrado, além do celular e do computador que eu mesmo entreguei.”

O prefeito afirmou ainda que não há áudios, conversas ou diálogos pessoais seus no inquérito. “Isso não foi dito em nenhum momento. O que se mostrou foi o meu rosto, numa tentativa clara de tirar a minha credibilidade”, declarou.

Negativa de irregularidades

Ao tratar das suspeitas de corrupção, Allyson negou qualquer pedido ou autorização para pagamento de vantagens indevidas. “Nunca pedi, nem autorizei ninguém a pedir qualquer vantagem pessoal em meu nome”, afirmou. Segundo ele, eventuais diálogos mencionados na investigação dizem respeito a terceiros. “São diálogos de terceiros que terão de se explicar à Justiça. Não há conversa pessoal minha no processo”, concluiu.

Confira o vídeo:

Fonte: AGORA RN/ Entrevista concedida pelo prefeito Allyson Bezerra ao Jornal do Dia (TV Ponta Negra) e informações públicas sobre a Operação Mederi.

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