A polícia indiciou neste domingo (19) o presidente da construtora Andrade Gutierrez e mais oito pessoas na Operação Lava Jato.
E esta segunda-feira (20) é o último dia para Polícia Federal concluir o relatório da investigação sobre a Odebrecht. Segundo as investigações, a Odebrecht participava do cartel para fraudar licitações na Petrobras.
Um dos investigados neste inquérito é o presidente Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, preso há um mês, durante a 14ª fase da Operação Lava Jato. Os policiais passaram o fim de semana analisando centenas de documentos apreendidos nas empresas do grupo. A Odebrecht nega as acusações.
E, neste domingo, a Polícia Federal indiciou o presidente da Andrade Gutierrez e mais oito pessoas. Agora, o Ministério Público tem cinco dias para apresentar ou não denúncia contra os investigados.
Otávio de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, quatro ex-executivos da empreiteira e mais quatro operadores do esquema de corrupção na Petrobras foram indiciados por crime contra a ordem econômica, fraude a licitação, corrupção e lavagem de dinheiro. Dos nove indiciados, quatro estão presos, entre eles, o presidente da Andrade Gutierrez.
Uma das provas apresentadas no relatório da Polícia Federal é a delação premiada do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco.
Ele disse que a Andrade Gutierrez tinha contratos que somavam R$ 4 bilhões com a Petrobras. E denunciou que nesses contratos houve pagamento de propina.
O relatório cita uma tabela entregue por Pedro Barusco.
O documento mostra que no contrato do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, no valor de quase R$ 2 bilhões houve pagamento de 2% de propina: 1% ficou com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, que cumpre prisão domiciliar; 0,5% com políticos; e 0,5% foi dividido entre o próprio Barusco e Renato Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras, que está preso em Curitiba.
Parte das transações de pagamento de propina teria sido intermediada por Mário Góes, que é apontado como um dos operadores da Andrade Gutierrez. Ele seria o responsável também pela lavagem de dinheiro.
A investigação mostra que a Andrade Gutierrez fez depósitos no Brasil, entre 2007 e 2008, a uma empresa de Mário Góes que somam quase R$ 5 milhões.
O relatório afirma ainda que nas contas de Mário Góes e de suas empresas foram realizados saques em dinheiro vivo da ordem de R$ 70 milhões.
Agora, cabe ao Ministério Público Federal decidir se oferece denúncia à Justiça contra os nove indiciados. Os procuradores têm cinco dias para tomar uma decisão.
A Andrade Gutierrez disse que nunca participou de formação de cartel ou fraude em licitações, e que nunca fez qualquer tipo de pagamento indevido a quem quer que seja.
A empresa reafirma que não existem provas que justifiquem a prisão e o indiciamento de seus executivos e ex-executivos. Informou ainda que sempre esteve à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O Bom Dia Brasil não conseguiu contato com as defesas de Renato Duque e de Mário Góes.
Bom Dia Brasil
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