segunda-feira, 20 de julho de 2015

Vendas no varejo caem pelo quarto mês seguido em maio Em comparação ao mesmo período do ano passado, queda foi de 4,5%. Resultado é reflexo do aumento da inflação e também do desemprego.

A crise não deixou o brasileiro tirar o pé do freio mesmo. As vendas no comércio, que já foram símbolo do crescimento econômico, não param de cair. A ordem é só o necessário, nada mais do que o necessário.

Teve queda até nas vendas dos itens considerados essenciais. Um reflexo do aumento da inflação e também do desemprego. Os comerciantes já não sabem o que fazer para convencer os clientes a gastar.
Mesmo com desconto, está difícil queimar os estoques.
Bom Dia Brasil: Tem uma placa com 70% de desconto. Anima?
Lenita Vecchinelli, dona de casa: Não. Só o que precisar.
O consumidor está pensando duas vezes antes de colocar a mão no bolso.
Bom Dia Brasil: Roupa?
Adriana Tomaselli, pedagoga: Roupa, não, não.
Bom Dia Brasil: Eletrodomestico?
Adriana Tomaselli: Tambem nao!
Bom Dia Brasil: Móvel?
Adriana Tomaselli: Também não! O básico mesmo. É supermercado e uma coisinha ou outra que a gente vai usar para viajar.
As vendas no varejo caíram mais um pouco em maio. Foi o quarto mês seguido de retração. Já em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 4,5%. O segmento de móveis e eletrodomésticos foi o que mais contribuiu para esse resultado. Compras em supermercado, alimentos e bebidas e vestuário também tiveram peso importante. E quando inclui nessa conta as vendas de veículos e de material de construção, a queda em relação ao ano passado sobe, e muito: -10,4%.
“Como a gente depende de comissão, aí acaba vindo um mês fraco e aí a gente sofre também porque com as vendas devagar a gente recebe muito pouco”, conta a vendedora Fernanda da Silva.
Os lojistas dizem que o cliente não desapareceu. O que mudou foram os hábitos. “As pessoas continuam vindo à loja, experimentando, mas o que diminuiu foram as vendas”, afirma a dona de loja Ana Cristina Garcia.
“Você comprava por comprar, por prazer. Agora não. Agora você vai comprar conscientemente, porque é o que você precisa”, diz a aposentada Maria Helena Negrão.
Uma pesquisa do programa de administração do varejo mostra que o brasileiro está realmente com menos dinheiro para gastar. A expectativa dos consumidores é que no terceiro trimestre sobre, em média, só 6% do salário para gastar depois de pagar todas as contas como moradia, alimentação, transporte, educação e as dívidas. No mesmo período do ano passado, o brasileiro tinha quase o dobro para as compras.
“Essa diferença é resultante da redução da massa de rendimentos do que o consumidor ou que as famílias têm no bolso, em razão da inflação e em razão da subida muito forte da taxa de juros na ponta”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Varejo Claudio Felizoni.
Também tem o aumento da taxa de desemprego. Tudo isso junto esquentou o índice de inadimplência. Quase 40% da população adulta tem dívidas atrasadas. E com isso, o consumidor também está usando menos o crédito na hora de pagar. “A dívida acaba saindo fora do orçamento e gerando uma preocupação. Hoje não tenho dívida nenhuma. E não pretendo ter”, diz o chef de cozinha Claudomiro Rosa da Silva.
A queda nas vendas no varejo foi a mais acentuada para um mês de maio, desde 2001.



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