quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Entenda o Jogo: Por que as pesquisas do RN mostram resultados tão diferentes — e o que está por trás dos números

 

O tabuleiro eleitoral do Rio Grande do Norte para 2026 começa a se desenhar em meio a uma enxurrada de números e interpretações. A cada nova divulgação de pesquisa, o eleitor é confrontado com cenários contrastantes, especialmente entre nomes como Allyson Bezerra (União Brasil), Rogério Marinho (PL) e Cadu Xavier (PT). Nesse ambiente de disputa antecipada, entender o que está por trás das sondagens é tão importante quanto conhecer os percentuais apresentados.

Antes de tudo, é preciso destacar um ponto técnico essencial: as pesquisas só passam a ser oficialmente fiscalizadas pela Justiça Eleitoral (TSE e TREs) a partir de 1º de janeiro de 2026. Até lá, os levantamentos divulgados não precisam de registro formal nem de auditoria completa sobre metodologia e amostragem. Em outras palavras, as sondagens publicadas neste período servem mais como termômetros políticos do que como previsões consolidadas — e devem ser lidas com cautela.

O mais recente levantamento da Consult Pesquisa ilustra bem a volatilidade do momento: a vantagem do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, sobre o senador Rogério Marinho diminuiu, chegando a um empate técnico dentro da margem de erro. Já o desempenho do secretário estadual da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier (Cadu, do PT), acendeu um novo debate — não apenas pelos números, mas pelos bastidores que os cercam.

Enquanto a Consult mostra Cadu com índices modestos, o Instituto Sensatus, de Itaú/RN, divulgou recentemente um crescimento “espetacular” do petista, o que causou estranhamento entre analistas e observadores políticos. Nos bastidores — e até em reportagens de veículos locais —, circulam insinuações sobre possíveis vínculos entre dirigentes do Sensatus e o Partido dos Trabalhadores, o que levanta suspeitas sobre a neutralidade dos levantamentos.

Da mesma forma, a Consult também é alvo de especulações, sendo vista por alguns como “mais próxima” do campo oposicionista, especialmente de aliados de Rogério Marinho. Embora não haja qualquer prova de manipulação, as leituras políticas que emergem a partir dos números alimentam uma guerra silenciosa de narrativas.

A verdade é que, neste momento, a credibilidade das pesquisas depende tanto de sua metodologia quanto da confiança do público em quem as assina. Institutos como a Consult, por exemplo, possuem histórico de acertos, como na eleição municipal de Natal em 2024, quando previram com precisão o resultado do segundo turno. Ainda assim, a multiplicidade de números conflitantes gera desconfiança no eleitor comum, que vê na imprensa o seu principal filtro de análise.

Nesta terça-feira (29), o Instituto TSdois, em parceria com o Grupo TCM, divulgará uma nova rodada de números — e novamente, o eleitor será convidado a interpretar mais um “retrato do momento”.

E é justamente isso que as pesquisas são: fotografias instantâneas de um cenário em constante movimento. Elas não antecipam resultados, nem determinam vencedores; apenas indicam tendências. O único resultado definitivo virá das urnas, em outubro de 2026.

Até lá, cabe à imprensa fazer a ponte entre o dado e o contexto, revelando o que está nas entrelinhas, enquanto a Justiça Eleitoral se prepara para, a partir de janeiro, impor o rigor necessário à fiscalização das sondagens. Afinal, em tempos de polarização e voto útil, a transparência sobre quem pesquisa — e para quem pesquisa — é tão relevante quanto os próprios números divulgados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...