sexta-feira, 31 de outubro de 2025

NATÁLIA BONAVIDES CLASSIFICA OPERAÇÃO NO RIO COMO “GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA E POBRE” E COBRA RESPONSABILIZAÇÃO

 A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) criticou duramente a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro que deixou mais de 120 mortos, classificando o episódio como mais um capítulo do que chamou de “genocídio da juventude negra e pobre” no Brasil. A declaração foi feita durante manifestação contra a reforma administrativa, em Brasília, e reforçada nas redes sociais.

A Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28) pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, é considerada a mais letal da história das forças de segurança brasileiras, superando o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. A ação tinha como alvo o Comando Vermelho e ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, resultando em 121 mortes — entre elas, quatro policiais — e mais de cem prisões.

Natália Bonavides (57)

Em publicação nas redes sociais, Natália reforçou a crítica e exigiu responsabilização dos envolvidos. Foto: José Aldenir / Agora RN

Durante seu discurso, Natália Bonavides manifestou solidariedade às famílias das vítimas e condenou o que chamou de seletividade racial e territorial das operações policiais.

“Antes de mais nada, deixo aqui a nossa solidariedade ao povo do Rio de Janeiro por uma operação desastrosa que jamais teria acontecido a céu aberto num bairro de rico. É a ampliação do verdadeiro genocídio da juventude pobre e negra que acontece no nosso país”, afirmou a parlamentar.

Em publicação nas redes sociais, a deputada reforçou o tom de indignação e acusou o governo do Rio de Janeiro, comandado por Cláudio Castro (PL), de adotar uma “política criminosa de extermínio”:

“Essa chacina no Rio jamais teria acontecido num bairro de rico! Minha solidariedade às famílias das vítimas. É inaceitável a política criminosa do governador Cláudio Castro, de morte do povo preto e periférico. Que seja investigado e responsabilizado!”, escreveu.

Em outra postagem, Natália foi ainda mais enfática, afirmando que o governo estadual é “cúmplice, não inoperante”. Segundo ela, “um dia antes da maior chacina da história do Rio, o Tribunal de Justiça, com apoio do governo estadual, liberou as atividades de uma refinaria investigada por ligação com o PCC. O STJ já suspendeu essa decisão”, destacou.

O governador Cláudio Castro, por sua vez, defendeu a operação, classificando-a como um “grande golpe na criminalidade” e afirmando que “as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos”.

A repercussão do caso tem provocado reações em todo o país. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo fluminense preste informações detalhadas sobre a ação, que deve seguir os parâmetros da ADPF das Favelas, decisão que visa reduzir a letalidade policial em comunidades.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “estarrecido” com o número de mortos e cobrou explicações sobre a falta de comunicação entre o governo estadual e as autoridades federais antes da operação.

Foto: José Aldenir / Agora RN
Com informações do Agora RN e agências nacionais

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