Comitiva do governo federal visitou o Complexo da Penha e ouviu relatos de moradores e parentes das vítimas; Lula cobra urgência em projeto antifacção
Uma comitiva de ministras e parlamentares visitou, nesta quinta-feira (30), o Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, e ouviu depoimentos emocionados de familiares das vítimas da megaoperação policial que deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais. Durante o encontro, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, prometeu que o governo federal vai encomendar uma perícia independente sobre as mortes registradas durante a ação das polícias Civil e Militar.
“Na nossa visão, a perícia no local está muito prejudicada”, afirmou Macaé a parentes e representantes da comunidade.

A ministra classificou a operação como “um fracasso, uma tragédia, um horror inominável” e criticou a forma como o Estado tem conduzido o enfrentamento ao crime organizado. “Se quisermos combater o crime, temos que começar por cima. Não adianta expor crianças, idosos e pessoas com deficiência a esse pavor nas comunidades”, declarou.
A comitiva também contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e de parlamentares ligados a movimentos de direitos humanos. O grupo se reuniu na sede da Cufa (Central Única das Favelas), próxima à Praça São Lucas, local onde dezenas de corpos foram deixados após a operação.
Macaé anunciou ainda medidas emergenciais de apoio aos familiares, incluindo atendimento psicossocial, proteção a testemunhas — especialmente crianças — e articulação com a Polícia Federal para o envio de peritos independentes. “Segurança é um direito de toda a população. Mas não adianta segurança sem políticas públicas de saúde e educação”, ressaltou.
Lula cobra projeto “antifacção”
No Palácio do Planalto, a crise de segurança pública no Rio provocou forte mobilização. Segundo auxiliares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem acompanhado o caso de perto desde seu retorno da Ásia e cobrou celeridade no envio do projeto de lei “antifacção” ao Congresso Nacional.
A proposta pretende atualizar a Lei das Organizações Criminosas e endurecer o combate a facções. O texto deve ser encaminhado ao Parlamento nesta sexta-feira (31).
Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a escalada de violência no Rio pode impactar a imagem do Planalto, em um momento em que pesquisas apontavam melhora nos índices de aprovação de Lula.
Despedida dos policiais mortos
Enquanto o governo tenta conter a crise, os corpos dos quatro policiais mortos durante a operação começaram a ser velados no Rio.
Os sargentos do Bope, Cleiton Serafim Gonçalves, de 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, de 39, foram homenageados em cerimônia na sede do batalhão, em Laranjeiras, zona sul da capital. Serafim foi sepultado em Mendes, no interior do estado, e Carvalho, no Cemitério de Sulacap, zona oeste.
O comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou nunca ter presenciado algo semelhante.
“Eles estavam preparados para a guerra, e encontraram a guerra”, disse. “Uma frase do sargento Heber, que tombou, será nosso lema: ninguém vai parar a gente.”
Os policiais civis Marcus Vinicius Cardoso, 51 anos, e Rodrigo Velloso Cabral, 34, foram enterrados na quarta-feira (29), respectivamente no Cemitério da Cacuia, na Ilha do Governador, e no Memorial do Rio, em Cordovil. Em nota, a Polícia Civil afirmou que “os ataques covardes de criminosos contra nossos agentes não ficarão impunes”.
Operação no RN mira facção criminosa ligada a presídios
No mesmo dia, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrou, em Mossoró (RN), a Operação Venari, contra uma facção criminosa com atuação dentro e fora dos presídios potiguares.
Foram cumpridos 21 mandados judiciais — 15 de busca e apreensão e seis de prisão preventiva — em Mossoró, Natal, Parnamirim, Caicó, Messias Targino e Pontal do Araguaia (MT). Durante as diligências, um suspeito foi preso em flagrante por tráfico de drogas.
Mais de 100 agentes participaram da ação, incluindo forças da Polícia Federal, Polícia Penal Federal, delegacias especializadas e Batalhões de Operações Especiais (Bope e GTOs) de diversas cidades. As investigações apuram tráfico de drogas, organização criminosa e outros crimes correlatos.
VIA AGORA RN
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