terça-feira, 7 de outubro de 2025

Governo do RN decreta situação de emergência em 88% do território estadual devido à seca

 O Governo do Rio Grande do Norte decretou situação de emergência em 147 municípios por causa da seca que atinge o estado, comprometendo o abastecimento de água, a agricultura e a pecuária. O decreto abrange 88% do território potiguar e foi motivado pela redução de 16% nas chuvas durante o primeiro semestre de 2025.

O cenário é agravado pelos baixos níveis dos reservatórios: os 69 mananciais monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas (Igarn) acumulam apenas 2,28 bilhões de metros cúbicos, ante 3,14 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Paulo Varella, o objetivo é consolidar uma gestão de "risco calculado", baseada em ações preventivas, uso racional da água e antecipação de medidas de mitigação. “Estamos passando de uma gestão reativa, de crise, para uma gestão de planejamento, propositiva”, afirma.

Entre as ações emergenciais e estruturantes previstas estão a perfuração de 500 poços até abril de 2026 e a construção de 2.500 cisternas. Até o momento, 103 poços já foram perfurados, com investimento de R$ 13,5 milhões, e 400 cisternas já beneficiam 2.500 famílias em 28 municípios, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

O presidente do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), José Vieira, alerta para a gravidade da situação. “O decreto de emergência precisa se traduzir em ações concretas, com prioridade para o abastecimento de água e a manutenção da atividade produtiva. O risco de perda de rebanho é real, especialmente em pequenas propriedades”, disse.

No Seridó e no Alto Oeste, produtores relatam escassez de pastagem e baixa disponibilidade de água em açudes e barreiros. Em municípios como Apodi, Ouro Branco e Luís Gomes, o abastecimento humano depende exclusivamente de carros-pipa. Sem medidas emergenciais, como distribuição de feno e apoio à alimentação animal, o setor pode enfrentar prejuízos significativos na pecuária leiteira e de corte.

No campo das obras estruturantes, o Governo aposta em grandes projetos de adutoras para ampliar a segurança hídrica:

  • Projeto Seridó Norte (Novo PAC), com investimento de R$ 300 milhões, deve entrar em operação no 1º semestre de 2026;

  • Adutora do Agreste, com início previsto para o último trimestre de 2025.

O Estado também intensificou a Operação Carro-Pipa, coordenada pelo Exército Brasileiro, que atende 70 municípios e mais de 80 mil pessoas na zona rural, com 210 veículos. Entre os municípios mais críticos estão Campo Redondo, São Miguel, Nova Cruz, Santa Cruz e Currais Novos. O governo monitora diariamente os reservatórios e reforça a fiscalização para evitar desperdícios e garantir o uso equilibrado da água entre abastecimento humano e produção agropecuária.

Fonte: Tribuna do Norte

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