sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Oposição Avança no RN: O Nó Político que o Governo do PT Não Consegue Desatar

 O início de 2026 no Rio Grande do Norte está sendo marcado por um quadro de incertezas e indefinições que podem reconfigurar o poder estadual ainda antes da corrida eleitoral de outubro. A base governista, liderada pela governadora Fátima Bezerra (PT), enfrenta um dilema que dá espaço para a oposição ganhar terreno e se articular com mais força no cenário local.

No centro dessa trama política está a intenção de Fátima de renunciar ao cargo em abril para disputar uma vaga ao Senado, movimento que, em tese, consolidaria sua projeção nacional e fortaleceria o PT no Parlamento. No entanto, essa estratégia esbarra na hesitação do vice-governador Walter Alves (MDB) em assumir a chefia do Executivo estadual. Alves, aliado tradicional da governadora, tem sinalizado cautela e evitado confirmar que permanecerá no posto para enfrentar a crise fiscal que assola o Estado — o que inclui dificuldades de caixa e atrasos em pagamentos, desafios que muitos consideram um “presente envenenado” para quem assumisse o governo tampão.

Caso Walter realmente decline de assumir, o próximo na linha sucessória seria o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB). Mas ele também tem evitado se comprometer com um eventual mandato-tampão — situação que, se concretizada, pode levar a uma eleição indireta entre os deputados estaduais para escolher o governante que ficará no cargo até o fim de 2026. Essa indefinição institucional é vista nos bastidores como um tranco nas engrenagens da base aliada, que precisa decidir rapidamente como contornar o impasse.

Esse vácuo político tem sido combustível para a oposição, que tenta capitalizar a percepção de desarticulação no governo estadual. O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), desponta em levantamentos recentes como um dos nomes com maior potencial na disputa pelo Governo do Estado, liderando cenários eleitorais com vantagem tanto em intenções de voto quanto em mobilização de bases no interior potiguar.

Na esteira desse movimento, o senador Rogério Marinho (PL) mantém sua presença na corrida e consolida a base conservadora no estado, mesmo com desafios próprios de imagem e rejeição junto a parcelas do eleitorado. Diário Político® Enquanto isso, lideranças políticas das regiões do Alto Oeste e de Pau dos Ferros observam atentamente as movimentações em Natal, conscientes de que a força do governo estadual pode ditar o ritmo de obra públicas, liberação de emendas e investimentos locais. Com deputados e prefeitos recalculando apoios, muitos evitam comprometer-se com um bloco que demonstra fragilidades organizacionais em um ano decisivo.

Para o eleitor potiguar, especialmente no interior, o próximo trimestre será um termômetro crucial: a intensidade das visitas, compromissos e anúncios de investimentos pode sinalizar quem ainda tem capacidade de liderar o estado e quem começa a perder terreno diante da oposição em ascensão.

 Agora RN


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