Pau dos Ferros vive um momento de alívio ambiental e administrativo. O fechamento definitivo do lixão municipal, oficializado pela prefeita Marianna Almeida, marca o fim de uma era de degradação e descumprimento legal. A medida atende à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e põe um ponto final em décadas de irregularidades no destino do lixo da cidade.
Desde agora, os resíduos sólidos de Pau dos Ferros passam a ser encaminhados para um aterro sanitário particular e licenciado, localizado nas proximidades de São Francisco do Oeste. O novo sistema, além de estar em conformidade com a legislação ambiental, garante condições adequadas de tratamento e beneficia a Associação de Catadores de Recicláveis de Pau dos Ferros (ASCARP), fortalecendo a inclusão produtiva e o trabalho sustentável.
Apesar dos avanços, a comemoração é acompanhada de um gosto amargo. O terreno onde funcionava o antigo lixão deveria ter abrigado, ainda na década passada, o aterro sanitário municipal — projeto iniciado na gestão do ex-prefeito Francisco Nilton Pascoal de Figueiredo e financiado com recursos federais.
O problema é que, embora o ex-gestor tenha assinado o Termo de Aceitação Definitiva da obra, o aterro jamais entrou em operação. A irregularidade levou o Ministério Público Federal (MPF) a instaurar ação civil pública que resultou na condenação de Nilton Figueiredo por improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos e obrigação de ressarcimento ao erário.
O fracasso do projeto tornou-se um dos temas mais explorados na política local. O ex-prefeito Leonardo Rêgo fez do aterro inacabado um dos principais alvos de suas críticas à gestão anterior, apontando desperdício de dinheiro público e descaso ambiental. Durante seu mandato, Leonardo chegou a iniciar, com recursos próprios do município, a construção de um aterro controlado, nas proximidades do antigo lixão — uma alternativa intermediária que, no entanto, não foi concluída pela atual administração, sob o argumento de inviabilidade técnica e financeira.
Hoje, a solução encontrada — o envio dos resíduos a um aterro privado — cumpre a lei e dá fim ao problema histórico, mas também expõe o preço alto da descontinuidade administrativa. Se o aterro sanitário original tivesse sido concluído à época, Pau dos Ferros poderia, neste momento, celebrar não apenas o encerramento do lixão, mas a autossuficiência em gestão de resíduos.
A história do lixão, portanto, deixa uma lição clara: a falta de continuidade e planejamento entre gestões tem custo elevado — ambiental, político e financeiro. O desafio agora é garantir que os avanços recentes não sofram o mesmo destino dos projetos que ficaram pelo caminho.
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